Instabilidade no centro de Moçambique atinge negócios de portugueses

Beira, Moçambique, 22 jun (Lusa) - Empresários portugueses na região centro de Moçambique estão a ser atingidos pelas ondas de choque dos confrontos entre Renamo e Exército, que mantêm a economia local em pausa, e esperam que a crise seja transitória.

"Os projetos grandes estão paralisados, tudo em banho-maria, e os que ainda estão a andar decorrem a uma velocidade mais lenta", descreveu à Lusa José Gonçalves Lopes, administrador da Godiba, uma empresa portuguesa sediada na Beira, província de Sofala, e dedicada aos transportes, construção, turismo e logística.

Esta tem sido a região mais afetada pelo despertar dos confrontos entre a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o Exército, apimentados por um diálogo sem evolução há mais de um ano e ainda por uma escalada nas últimas semanas das emboscadas quase diárias do braço armado do maior partido de oposição às escoltas militares das colunas civis na principal estrada do país.

"As pessoas inibem-se de avançar com investimentos, porque antes de tudo querem ver como isto vai acabar", informou por seu lado Vítor Ramos, diretor da empresa de transportes TTI e que sente, da boca dos seus clientes, um arrefecimento do ímpeto económico que a região experimentava antes desta crise.

Ao contrário de empresas de transportes moçambicanas, que ponderam paralisar a atividade por motivos de segurança, no troço de cem quilómetros entre Save e Muxúnguè, de escolta militar obrigatória e ainda assim atacada, na província de Sofala, a TTI não teve incidentes nos seus cinco a dez camiões que em média cruzam esta via por semana e nenhum motorista da empresa se recusou a viajar.

"Nada a lamentar, felizmente. Apenas alguns atrasos", segundo Vítor Ramos, para quem o risco de perder funcionários e bens se relaciona com a postura perante a vida. "Sou dos que veem o copo meio cheio".

No passado 10 de Junho, o embaixador português em Moçambique celebrou o Dia de Portugal na Beira e saiu com a conclusão de que "as pessoas sentem que os seus negócios estão a ser afetados, que o ritmo de crescimento é menor do que o desejável e que a circulação de produtos é mais instável", embora tenha ressalvado que também existe a esperança de que a situação seja transitória e a economia retome o seu fluxo de crescimento.

"Não vi ninguém com vontade de ir embora, mas vi, apesar de tudo, pessoas apreensivas", declarou à Lusa José Augusto Duarte, após a visita à Beira, que acolhe a segunda maior comunidade portuguesa no país, muito atrás de Maputo, onde permanece a maioria dos 23 mil emigrantes estimados no país.

No ramo da hotelaria, a Godiba, que inaugurou uma unidade há menos de um ano na Beira, sente dificuldades de abastecimento, sobretudo de congelados, e já usa como alternativas os aviões, com um custo adicional até mais 40 por cento.

Os bens tardam, as pessoas não. Apesar de tudo, o Hotel Lunamar mantém boas taxas de ocupação e "a vida segue, com preocupações mas normalmente", segundo José Gonçalves Lopes. "Está tudo em 'standby', pelo menos até às eleições".

Com um negócio de retalho e grossista de alimentos na Beira e em Nacala, o empresário português António Martins relatou à Lusa um aumento generalizado dos preços dos bens provenientes de Maputo, sobretudo dos congelados, mas também das frutas e legumes, com um custo adicional até 25%, e ausências temporárias nas prateleiras de produtos como o frango e peixe na segunda maior cidade do país.

"Os fretes da África do Sul, via Zimbabué, não sofreram alteração, mas em Maputo há muita gente a recusar-se", lamentou.

Após o Acordo Geral de Paz, em 1992, Moçambique revive no centro um cenário de guerra e que a Renamo ameaça alastrar a outras regiões do país. Além das emboscadas do braço armado do partido de oposição, o Exército reforçou as posições na serra da Gorongosa, onde se presume estar escondido o líder do movimento, Afonso Dhlakama.

Para 15 de outubro estão previstas eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais).

HB // VM

Lusa/Fim



“Há uma geração que irá sempre olhar para a China por causa de Macau, e agora outra que olha para a China onde também está Macau”

O tempo e o pragmatismo das relações luso-chinesas, 18 anos após a entrega de Macau, deixam Lisboa mais indiferente à evolução sociopolítica de Macau. Raquel Vaz-Pinto vê o distanciamento como inevitável, numa altura em que, por outro lado, a China está cada vez mais presente em Portugal. A politóloga, especialista em política externa chinesa, admite que

“É inútil ter medo”

Se perder o lugar de deputado depois de ir a tribunal, Sulu Sou promete não desistir da política. A Associação Novo Macau ainda não sabe o que vai fazer caso o ativista seja obrigado a abandonar a assembleia. O julgamento está marcado para dia 9 de janeiro. Foi eleito deputado dia 17 de setembro. Quase

Bruxelas exige “compromisso de alto nível” para tirar Macau da lista negra

A revisão da decisão tomada a 5 de dezembro pode ser feita a qualquer altura, indica responsável da UE. Sanções por falta de cooperação fiscal excluem Macau de projetos em África que tenham financiamento do bloco.  Macau poderá ser retirada a qualquer altura da lista da União Europeia de jurisdições não-cooperantes em matéria fiscal. Para tal,

Novo nome e nova rota para os 18 anos da RAEM

O “Desfile Internacional de Macau”, integrado nas comemorações do 18º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, vai sair à rua no domingo, dia 17 de dezembro, com uma nova rota, a previsão de mais público e um orçamento de 16 milhões de patacas.  De acordo com Leung Hio Ming, presidente do Instituto Cultural

Uma China à conquista do mundo

Uma malha ferroviária até à Europa, gasodutos desde o Turquemenistão e Birmânia ou novos portos em Moçambique e Geórgia anunciam uma “nova era”, na qual a China Continental ocupará o “centro” da futura ordem mundial. “É uma mudança histórica na posição da China no mundo”, explica He Yafei, antigo vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, durante

Eletricidade, um bem de luxo

Num momento em que as autoridades guineenses apostam no desenvolvimento de setores como o turismo e a agricultura para fomentar o crescimento económico do país, a Guiné-Bissau não pode, nem deve descurar a eletrificação do seu território, que ainda é incipiente. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), disponibilizados no último relatório da Conferência