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Economia chinesa alimenta otimismo e risco

O FMI mostra-se ambivalente ao projetar um crescimento de 6,7 por cento para a economia chinesa este ano. O país arrasta perspetivas globais melhoradas, mas também o lastro de possíveis tensões financeiras.

O mundo está a mudar, avisa o Fundo Monetário Mundial, que vê a economia mundial evoluir positivamente este ano a reboque das economias emergentes, numa altura em que se degradam as perspetivas para a primeira e quinta economias do globo, Estados Unidos e Reino Unido, respetivamente. A China, com projeções de crescimento revistas em alta esta semana, continua a representar riscos negativos com o adiar de reformas, mas que suportam o optimismo a curto prazo.

O último relatório de projeções económicas globais da instituição, apresentado na passada segunda-feira, vê a economia global a expandir-se este ano em 3,5 por cento, e em 3,6 por cento em 2018. Se as perspetivas de conjunto surgem inalteradas face às previsões de crescimento apontadas pelo FMI em abril, o documento nota uma alteração significativa nos motores de expansão do PIB global, numa altura em que os mercados emergentes e economias em desenvolvimento se mostram já responsáveis por 80 por cento do crescimento projetado e 60 por cento da produtividade mundial. 

Entre o mundo emergente, melhorou a situação chinesa. O FMI revê a projeção de crescimento da China em 2017 para 6,7 por cento, 0,1 pontos percentuais acima do esperado em abril. Para o próximo ano, antecipa 6,4 por cento de crescimento, com mais 0,2 pontos percentuais de confiança no desempenho económico do país.

A revisão em alta para este ano “reflete o resultado mais forte do que o esperado no primeiro trimestre deste ano, suportado por uma anterior flexibilização monetária e reformas de mercado do lado da oferta (incluindo esforços para reduzir capacidade excessiva no sector industrial)”. Já a projeção de 2018 “reflete principalmente a expectativa de que as autoridades retardem um necessário ajustamento fiscal (especialmente, mantendo altos níveis de investimento público) para ir ao encontro do objetivo de duplicar o PIB real de 2010 até 2020”.

A avaliação do FMI deixa assim um mensagem ambivalente. “A demora acontece porém com o custo de novos grandes aumentos da dívida, portanto os riscos negativos deste cenário de base também aumentaram”, informa, dando conta das probabilidades aumentadas de o crescimento chinês ficar aquém das projeções.

No cenário global traçado, surgem deterioradas as perspetivas dos Estados Unidos com uma revisão da projeção de crescimento para este ano 0,2 pontos percentuais abaixo do antecipado em abril, agora em 2,1 por cento. Para 2018, a economia norte-americana deverá continuar a expandir-se exatamente no mesmo ritmo de 2,1 por cento e já não nos 2,5 por cento que o FMI calculava há três meses. A previsão decorre da incapacidade até aqui da Administração de Donald Trump avançar com prometidas reformas fiscais: redução de impostos e aumento do investimento público.

Os efeitos do Brexit fazem também com que a instituição reveja em baixa as projeções do Reino Unido, antecipando um crescimento de 1,7 por cento este ano (0,3 pontos percentuais menos do que a projeção de abril) e de 1,5 por cento em 2018 – no mesmo nível das projeções anteriores.

No conjunto da zona euro, de contrário, o FMI antecipa 1,9 por cento de crescimento este ano (mais 0,2 pontos percentuais que em abril) e de 1,7 por cento em 2018 (mais 0,1 ponto percentual). Surgem neste quadro melhoradas as projeções de Alemanha e França, cujas economias deverão expandir-se este ano em 1,8 por cento e 1,5 por cento, respetivamente.

Também as trajetórias positivas do consumo privado, investimento e exportações do Japão permitem mais optimismo, com o FMI a projetar um  crescimento da economia japonesa de 1,3 por cento este ano (subida de 0,1 pontos percentuais contra os cálculos de abril) e a manter a projeção de 2018 em 0,6 por cento.

As melhorias no cenário internacional são acompanhadas da expectativa de que o comércio mundial acelere este ano em 4 por cento, e abrande para um nível de crescimento ligeiramente inferior, 3,9 por cento, em 2018, ainda que o FMI veja agravadas as perspetivas dos preços das matérias-primas: este ano, os preços do petróleo devem ampliar-se em 21,2 por cento, e não os 28,9 por cento projetados em abril; os preços das restantes matérias-primas devem subir em média 5,4 por cento, e já não 8,5 por cento.

Mas, ainda que o horizonte ofereça melhores perspetivas globais neste ultimo documento, surgem aumentados os riscos de estas não se verificarem, alerta o FMI. Por um lado, com um eventual prolongamento do período de incerteza política no rumo a adoptar por Washington e Londres. Pelo outro, pelo papel que a China desempenha na dinâmica das forças globais, com Pequim a fazer elevar a tensão financeira. 

“Na China, o insucesso na manutenção do recente foco na resolução dos riscos do sector financeiro e em mitigar o excessivo crescimento do crédito (sobretudo através de disposições políticas macroprudenciais mais rígidas) pode resultar num desaceleramento abrupto do crescimento com efeitos adversos nos outros países por via do comércio, preços de matérias-primas e canais de confiança”, reflete o relatório. 

A estes factores de destabilização juntam-se uma eventual aceleração do ritmo de subida nas taxas de juros do dólar, passível de desencadear um ressurgimento das saídas de capitais no mundo emergente; a fragilidade das contas públicas nalguns países do euro e a possibilidade de alívio indevido na supervisão financeira; uma prevalência de tendências protecionistas com impacto negativo para as reformas de mercado e rendimentos dos grupos mais desfavorecidos; e, por fim, riscos geopolíticos associados a má governação, corrupção, ou conflitos políticos domésticos. 

Maria Caetano

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