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Iniciativas da China “vão ter impacto nos países lusófonos”

As iniciativas da China – e não apenas Uma Faixa, Uma Rota – terão “um grande impacto” nos países lusófonos, garante o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. Numa visita a Macau, Lu Kang avisou ainda que a economia chinesa está preparada para uma guerra comercial.

“Há muitas pessoas preocupadas com a política diplomática da China,” admitiu Lu Kang, diretor-geral do Departamento de Informação do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. A confissão surgiu na sexta-feira passada: “Quando vou ao estrangeiro, vejo que o desenvolvimento da China é algo que é discutido com receio”.

Receios que têm criado resistência aos grandes projetos da iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota. No mês passado, a Malásia prometeu renegociar uma linha de caminhos-de-ferro a ligar o país à Tailândia, um investimento de 14 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 113,2 mil milhões de patacas).

Contratempos inevitáveis, diz Lu Kang. “Uma vez que a China tem uma economia e uma população tão grandes, a ascensão do país tem tido um impacto enorme, maior do que a emergência dos Estados Unidos,” disse o oficial, “e as nossas políticas, internas e externas, têm consequências fora da China”.

Também nos países de língua portuguesa o “peso enorme” e a “influência” do investimento chinês está a gerar “fenómenos de mal-estar,” avisou Miguel Santos Neves, antigo assessor do governador de Macau, numa entrevista para uma tese de mestrado defendida em dezembro passado. No mesmo mês, vários investigadores falaram durante um seminário do crescente receio no Brasil de uma dependência neo-colonialista da China.

Mas Lu Kang não duvida do efeito positivo das iniciativas económicas de Pequim. “As pessoas de Macau perguntaram-me qual o papel e os benefícios que Macau poderá tirar da estratégia Uma Faixa, Uma Rota,” referiu. O porta-voz acredita que a iniciativa vai “resolver problemas de conectividade e capacidade produtiva, e que podemos ver que os seus efeitos já chegaram a todos os continentes”.

Também o 13º Plano Quinquenal de Cooperação Internacional para a Expansão da Capacidade Produtiva (2016-2020) “vai ter um grande impacto, nomeadamente nos países de língua portuguesa,” disse Lu Kang. O plano, cuja aprovação pelo Conselho de Estado foi dada pela imprensa estatal chinesa como iminente em outubro de 2016, continua na gaveta. Ainda assim, foi lançado há um ano o Fundo Brasil-China de Cooperação para a Expansão da Capacidade Produtiva, com uma verba de 20 mil milhões de dólares.

China “sem medo”

Numa palestra na Universidade de Macau, Lu Kang falou também sobre o recente desanuviar da tensão na península coreana e a relação com os Estados Unidos. You Ji, chefe do Departamento de Administração Pública e Governamental da universidade, defendeu que esta relação está “na pior situação desde 1989”, ano dos protestos em Tiananmen, devido à decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor pesadas tarifas alfandengárias a produtos chineses.

“Não queremos uma guerra comercial mas, honestamente, a China não tem medo de enfrentar uma guerra comercial,” sublinhou Lu Kang. O porta-voz defendeu mesmo que a economia chinesa “tem a capacidade de absorver o impacto de uma guerra comercial”.

Trump tem acusado a China de se aproveitar dos Estados Unidos, mas Lu Kang garante que Pequim também “não quer um excedente comercial tão elevado. Queremos produtos importados,” referiu o oficial, dando como exemplo a Exposição Internacional de Importações da China, que se realizou este mês em Xangai. O problema, diz, é que “os produtos norte-americanos têm de ser capazes de satisfazer as necessidades do povo chinês”. 

Vítor Quintã  22.06.2018

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