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Petróleo africano pode animar renminbi

Em vez de progredir, a moeda chinesa recuou na internacionalização. Tem hoje a nona posição nos pagamentos transfronteiriços. Mas vendas de petróleo em renminbi poderão melhorar o cenário.

A reversão do processo de internacionalização do renminbi é cada vez mais acentuada, com a moeda chinesa hoje no fundo do ranking das principais divisas de pagamentos internacionais transfronteiriços. Mas, para a rede internacional SWIFT, há ainda um caminho de crescimento internacional no horizonte, no qual os países africanos e as importações de petróleo chinesas têm um papel importante a desempenhar.

Os mais recentes dados da organização de pagamentos internacionais indicam que o renminbi encontra-se hoje na nona posição do ranking de divisas internacionais mais transacionadas nos mercados mundiais, depois de ter estado em quarto lugar, destronando o iene japonês, em 2015 – meses antes de ser aceite no cabaz internacional de divisas do Fundo Monetário Internacional como moeda de reserva. 

Representava então, em agosto de 2015, 2,79 por cento dos pagamentos internacionais transfronteiriços. Em março deste ano, a quota é de 0,98 por cento, quando excluídos pagamentos não transfronteiriços na China e as transações registadas dentro da zona euro. Ou de 1,62 por cento quando estes são incluídos, ficando então na sexta posição das divisas de maior uso em pagamentos internacionais.

“A utilização do renminbi está a crescer com um ritmo de adoção abaixo do esperado”, admite Alain Raes, diretor executivo para a Ásia Pacífico da SWIFT. “Mas a crescente importância da China na economia global e a expansão mundial dos bancos chineses estão a preparar caminho ao futuro crescimento”, contrapõe.

O último estudo de acompanhamento à internacionalização da moeda chinesa, o SWIFT RMB Tracker, analisa dados de transações internacionais realizadas até ao final de março. À frente do renminbi estão hoje dólar americano, euro, iene, libra esterlina, dólar australiano, franco suíço, dólar canadiano e peso mexicano. Um trambolhão enorme na moeda que pretende destronar o dólar como divisa de pagamentos internacionais.

Mas, apesar disso, a SWIFT vê perspetivas promissoras. Desde logo, com a recente abertura de um mercado de contratos de futuros de petróleo em Xangai, a funcionar desde 26 de março, e com a perspetiva de alguns dos principais exportadores de petróleo passarem a vender à China em renminbi, como Angola.

‘Petroyuans’ no horizonte

A afirmação dos contratos de ‘petroyuan’ – com a abertura a investidores estrangeiros das transações de futuros de crude a partir de Xangai – pretende criar um novo ‘barril’ de referência para os mercados internacionais, a par do Brent londrino e do crude do Texas cujos futuros são postos à venda em Nova Iorque, mas denominado em renminibi. 

Isto é relevante porque a China é o maior importador de petróleo do mundo, tendo superado os Estados Unidos no ano passado. Mas a vinculação do petróleo ao dólar é a prática assente nos mercados internacionais, sobretudo porque são os mercados do dólar aqueles que oferecem maior liquidez – longe das restrições ao movimentos de capitais em vigor na China.

Ainda assim, países como Rússia e Angola estão entre aqueles que manifestaram já o desejo de serem incluídos num programa piloto, a ser iniciado pela China durante a segunda metade deste ano, para pagamento de importações de petróleo em renminbi. Tratam-se de dois dos principais exportadores petrolíferos do mundo, a par da Arábia Saudita. 

Para a SWIFT, “os exportadores de petróleo africanos poderão estar entre a crescente gama de empresas que usam o renminbi para pagamentos”. Nas relações com África, a organização destaca, por exemplo, que o banco central da Nigéria possui hoje uma quota de 10% das suas reservas cambiais em renminbi. Gana, Maurícias e Zimbabué também adoptaram a moeda chinesa como divisa de reserva. A África do Sul, principal parceiro comercial chinês no continente, lançou, entretanto, uma plataforma cambial para transações em renminbi com a China. 

Além dos mercados petrolíferos, a iniciativa Faixa e Rota oferece outra vereda para a afirmação do renminbi, diz a SWIFT. A internacionalização da moeda poderá reverter ao rumo de crescimento se as empresas envolvidas nos projetos de infraestruturas das novas rotas da seda recorrerem, por exemplo, ao mercado de Hong Kong para lançarem ofertas públicas de venda de capital denominado na moeda chinesa, especula a organização.

Mas, ainda assim, mantêm-se vários desafios. Segundo a SWIFT, embora mais de 500 instituições financeiras da China estejam ligadas à rede internacional de pagamentos, os bancos rurais do país continuam a depender de intermediários locais para a realização de pagamentos transfronteiriços. 

Além disso, falta aumentar o grau de acesso dos investidores internacionais aos mercados de dívida e valores da China continental. Atualmente, existem apenas as ligações ‘connect’ entre o mercado de Hong Kong e os de Xangai e Shenzhen, com os fluxos financeiros a serem suportados pela rede de pagamentos chinesa CIPS. O ‘bond connect’ via mercado de Hong Kong, estabelecido em 2017, admitia até março 288 investidores internacionais de 22 jurisdições.

Segundo a SWIFT, são ainda necessários melhores serviços de informação das instituições financeiras e a adoção generalizada de padrões internacionais de qualidade nas mensagens de pagamento. 

Maria Caetano  11.05.2018

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