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Shenzhen procura empresas portuguesas

O Invest Shenzhen esteve em Lisboa e disse que quer receber investimento nas renováveis, inovação e indústria aeroespacial.

Shenzhen diz que quer receber empresas portuguesas nos sectores das energias renováveis, inovação e indústria aeroespacial. A primeira zona económica especial do país e casa das principais tecnológicas chinesas conta com uma miríade de parques industriais e incubadoras para os quais pretende atrair empreendedores portugueses.

“A cooperação entre Shenzhen e Portugal vai ocupar uma posição extremamente importante”, indicou na passada semana Cai Run, embaixador da China em Portugal, durante uma sessão de promoção organizada pelo departamento de promoção do investimento de Shenzhen em Lisboa. A Invest Shenzhen esteve em Portugal para afirmar que a cidade está aberta ao investimento estrangeiro, mesmo numa altura em que sobem de tom as críticas às barreiras à entrada no mercado chinês. Shenzhen “é a janela que se abre para o estrangeiro”,  assegura.

Na década de 1980, Shenzhen foi o símbolo da abertura da China à economia internacional, tornando-se a primeira zona económica especial e recebendo primeiro o investimento de empresas estrangeiras. Os responsáveis municipais atuais da metrópole contígua a Hong Kong pretendem reafirmar esta posição, com medidas de atração que, dizem, também incluem o acesso a algum financiamento.

Baoan, na zona mais ocidental de Shenzhen, entre Dongguan e Qianhai, é um dos distritos com medidas para atrair Portugal. Lu Jixian, responsável pela promoção do investimento no distrito, indicou que em breve a zona vai ter em funcionamento um Parque China-Europa de Indústrias Azuis, procurando sobretudo reunir nele aeroportuários, de transportes marítimos e também ligados ao sector de convenções e exposições.

“Tal como Lisboa, Baoan é também uma cidade marítima”, afirmou Lu, dando conta de que dispõe de um fundo de dois mil milhões de yuans para apoiar projetos. Os detalhes do financiamento, e de como as empresas portuguesas poderão aceder a este, não foram, no entanto, disponibilizados.

Segundo o responsável de Baoan, 370 empresas do distrito mantiveram em 2017 relações com Portugal, num volume comercial total de 32,2 milhões de dólares – grande parte, 26,47 milhões de yuans, exportações chinesas para Portugal.

Zhang Feimeng, diretora-geral adjunta do Invest Shenzhen, sinalizou as áreas prioritárias com abertura ao investimento. A primeira, disse, são as energias renováveis. “A experiência avançada de Portugal tem implicações para o desenvolvimento da energia renovável em Shenzhen”, disse na sessão que antecedeu também uma visita às instalações da empresa Energias de Portugal (EDP).

A segunda área em foco foi a da inovação e empreendedorismo. Zhang Feimeng citou o desenvolvimento da Web Summit em Portugal, bem como o facto de tecnologia portuguesa ter vindo a ser adoptada por mais de uma centena de empresas de comunicações móveis de todo o mundo. Segundo a responsável, Shenzhen conta atualmente com um sistema de inovação com mais de 200 incubadoras e tem estabelecidos mais de mil investidores de capital de risco à espera de receber também projetos do exterior.

A cidade de Shenzhen fala ainda em atrair o fabrico e manutenção de aeronaves português, citando os casos de empresas como a da Indústria Aeronaútica de Portugal (OGMA) e o das operações da brasileira Embraer em Portugal. “Esperamos aumentar a competitividade da indústria aeroespacial portuguesa”, disse.

“Shenzhen será a segunda cidade mais internacional da China”

Andrew Huyan é o secretário-geral adjunto da Associação de Promoção e Investimento Internacional de Shenzhen, uma organização não-governamental criada em 2015 pela Invest Shenzhen para apoiar a instalação de empresas.

Que condições tem Shenzhen para atrair empresas portuguesas a instalar-se no município?

Andrew Huyan – Primeiro, Shenzhen é uma cidade bastante internacional. Estando perto de Macau e Kong Kong, duas cidades da China bastante internacionais, que estão abertas ao mundo, Shenzhen será a segunda cidade mais internacional da China. Vai haver várias áreas com boas condições para investidores. A segunda característica é a eficácia do Governo de Shenzhen. Todos os membros do Governo têm um trabalho muito eficaz, feito com a máxima velocidade para chegar ao produto final, assim como as associações. Além disso, em Shenzhen, a idade média da população é de 32 anos. Inclusivamente, a própria Shenzhen  é muito jovem. Excetuando as áreas que são da competência do governo, estamos a tentar criar boas condições para os investidores em diferentes áreas.

Que tipo de financiamento pode ser disponibilizado as estas empresas estrangeiras?

A.H. - Em Shenzhen há vários distritos, e cada distrito tem diferentes áreas para investimento. Baoan já tem um fundo para investidores, assim como políticas e legislação especiais para os investidores. Quando investem em Shenzhen, têm apoio quer no capital, quer na política. O financiamento depende dos projetos que forem apresentados. O fundo é para todos, mas seleciona bons projetos que interessam ao Estado e que já têm todo o projeto constituído. Assim, podem apresentar-se e serão analisados. Todos os distritos têm orientações diferentes, e diferentes apoios. O fundo de Baoan é só dirigido à criação de inteligência artificial, portos, transportes marítimos e aéreos. Tem que ver com a situação real desse distrito. Futian já tem um fundo diferente, mais direcionado para o setor financeiro. Segundo cada distrito são atribuídos diferentes fundos.

Maria Caetano  04.05.2018

 

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