20161112.153x

A caminho do melhor Grande Prémio

De regresso à Comissão do Grande Prémio, Costa Antunes fala da preparação nos bastidores, das novidades e de tudo o que rodeia o maior evento de Macau. O Gande Prémio nunca esteve em dúvida, e garante, que o de 2016 será o melhor ano de sempre. 

20150922-0108-1

Após a sua demissão, surge o convite do secretário Alexis Tam. É o regresso do filho pródigo ou a paixão que fala mais alto?

O senhor secretário convidou-me para ser membro da comissão dos projetos que tem em curso e, mais concretamente, no Grande Prémio, para ser o porta-voz para a imprensa portuguesa em Macau. O meu trabalho tem a ver com projetos e, nesse ambito, surgiu o convite do senhor secretário. Esses projetos passam pela reconversão do espaço e do edifício do antigo Hotel Estoril; a construção Biblioteca Central e a aproximação de alguns projetos na Av. da Praia, na Taipa. São projetos aos quais tenho dedicado a maior parte do tempo neste último ano; não só a trabalhar para o Grande Prémio.

Quanto tempo de preparação é preciso para o Grande Prémio?

Como qualquer evento desta dimensão o período é  maior que um ano. Mesmo antes de se realizar o atual, já há trabalhos preparatórios que não têm a ver com o atual mas com o evento a seguir. É um circuito que não pára, existem contratos internacionais a atualizar, convites a fazer, etc. É preciso desmanchar toda a estrutura e prever o que fôr possível para que se possa melhorar constantemente. O programa já está a ser preparado para o Grande Prémio de 2017.

Quantas pessoas estão envolvidas diretamente e indiretamente, excluindo pilotos e equipas?

Existe uma equipa permanente. O núcleo é constituído por 30 pessoas que tratam do Grande Prémio durante o ano. A inclusão no Instituto do Desporto permite que essa equipa trabalhe em outras atividades dedicadas ao desporto. Mas para além disso é necessário um conjunto de apoios que são dados não só pela entidade da tutela que é o Instituto do Desporto, mas também por outros organismos que pertencem á Comissão, como é o caso dos trabalhos promocionais, que são tratados pelo Turismo; a Segurança, pelos Serviços da Segurança, e os condicionalismos de trânsito, por parte  da DSAT e do IACM. Há um conjunto de departamentos que estão em trabalho permanente ao longo do ano, toda uma preparação de apoio médico e paramédico, toda uma componente que envolve centenas de pessoas… Se contarmos para a realização do evento, bombeiros, agentes de segurança, etc, andamos à volta de 1.500 a 2.000 pessoas por serviços diferentes.

Com as saídas da cúpula da organização e as novas regras da FIA o Grande Prémio esteve em risco?

De maneira nenhuma! O Grande Prémio, ao longo dos 63 anos, conquistou um direito próprio reconhecido internacionalmente. O figurino não é unico e começou com um grupo de amigos que se reuniram para o organizar, depois, para o internacionalizar criaram-se condições para que assumissem a organização. Nasceu assim um orgão internacional presente na FIA, o Automóvel Clube de Portugal, e mais tarde o Clube Automóvel de Macau, que assumiu o registo na FIA. Eu diria que Macau tem todas as condições para continuar a organizar o Grande Prémio.Há um acumular de experiências com pessoas que têm largo conhecimento na preparação deste evento que o adquiriram ao longo destes 63 anos. Nunca houve qualquer dúvida quanto à sua realização.

Certo é que há um prémio da FIA ao integrar a F3 na Taça do Mundo….

Sim; é um facto. Ao longo dos anos, Macau desenvolveu uma capacidade organizativa de reconhecimento internacional. Houve em vários momentos que desenvolver esforços para o reconhecer como Taça Intercontinental; já era um primeiro passo. A prova continua a ser o exame final para jovens corredores que aspiram a participarem na F1,como aconteceu com corredores que passaram por Macau, tais como Senna, Vettel, Shumacher, Hamilton, etc. A FIA  enviou ao longo dos anos observadores credenciados, sempre a nosso pedido, para haver responsabilidade técnica internacional ao mais  alto nivel, desde os stewards, passando pelas equipas médicas, o diretor de corrida serem da FIA . Finalmente e ainda bem, graças ao sucesso que o Grande Prémio tem, acabnaram por reconhecer todo este trabalho e tiveram a preocupação com a nomeação da F3 a Taça do Mundo.

Quais são as novidades para este ano?

Quando se atinge um determinado patamar é dificil dizer que há grandes novidades. A novidade, sim, é a do reconhecimento mundial da F3. Essa é a grande novidade! Logo aí, em paralelo com o ter-se conseguido a prova mundial de GT, no ano passado, é uma raridade nesta modalidade. Temos uma grelha cheia de bons pilotos nestas corridas. Por outro lado, temos o 50º aniversário das corridas de motos, outra novidade. Melhorar a segurança e os transtornos do trânsito, a passagem aérea junto à curva de São Francisco voltou a ser uma realidade. Todos os anos se tem tentado manter o projeto integrado com os residentes. Este ano as escolas vão ter a oportunidade de assistir aos treinos… Tudo isto são grandes novidades para este ano.

O orçamento previsto é de 200 milhões de patacas. Consegue-se medir o retorno desse investimento?

O retorno deste evento pode medir-se a três niveis: primeiro é o retorno direto: bilhetes, publicidade de pista, venda de espaços de publicidade – é o cash por cash; segundo, o retorno em termos de efeito direto, mas não para a organização. Pelo facto de haver o evento isso provoca um aumento de receita na cidade, revertendo uma receita para a cidade e para o Fundo do Turismo. É também cash por cash, porque estas receitas não revertem diretamente para a organização, mas a organização é paga por esse mesmo Fundo de Turismo, sendo depois distribuida essa receita pelos vários intervenientes do setor. A tericeira componente é a imagem promocional; Macau como um brand internacional, através das várias cadeias de televisão, páginas nos jornais e revistas, Facebook, Twiter, etc.

Tem sido positivo ao longo dos anos?

Tem. Este ano ainda não foi medido, mas no ano anterior houve três medições e os resultados foram de 25% do investimento de retorno para a organização, para a cidade foi de 1 para 2. É muito positivo e quando avaliamos as horas de televisão, jornais, Facebook, etc, o valor subiu para oito vezes. Quanto não vale falar de Macau como um brand diversificado? Muito……..

Há ainda uma presença timida de espetadores de outras nacionalidades?

Olhe que não; olhe que não… Cada vez mais há mais diversificação de espetadores. Quando temos pilotos europeus ou de outros continentes, há sempre um contingente de espetadores dessa região. A China continental é muito recente , mas a abertura da F1 em Xangai, trouxe espetadores do Continente a Macau e não é por acaso que nós próprios estamos presentes com um stand aquando da realização da F1 em Xangai, como estivemos em Singapura, etc. Temos clima, simpatia ao receber e procuramos um espetador especializado nesta modalidade.

A F1 vir pode vir para Macau?

É uma questão que tem vindo a ser posta de tempos a tempos. Tivémos o presidente da FIA aqui a ver as instalações, pessoal, etc. Em tom de surpresa, perguntou porque não pedíamos a certificação para a F1. Temos uma jóia, as primeiro temos de preservar património, a estrutura urbana, etc. Eu, como engenheiro civil, diria que sim, consigo incluir uma pista de F1. Há que medir os prós e contras, mas não há impossíveis.

Expetativas para o Grande Prémio…

As melhores. Vejo as pessoas mobilizadas, animadas. Há sempre uma questão que me preocupa: o bom tempo. Se houver alguém que consiga controlar esse fator, que venha trabalhar connosco. Com o bom tempo garantimos o melhor Grande Prémio de sempre. 

Nuno Ferraria

Artigos relacionados

 
 

“O Governo é demasiado lento e limita-se a copiar”

Annie Lao acusa o Governo de ser passivo na proteção do ambiente. A ativista – que lançou uma petição sobre o desperdício de plástico e poluição que reuniu mais de seis mil assinaturas – defende que Macau está muito atrasado. Com 30km2, é a cidade do mundo que produz mais lixo em média por pessoa. 

Previsões para 2019 continuam positivas

Depois do início da guerra comercial sino-americana no ano passado, os líderes dos dois países chegaram pela primeira vez no passado mês de dezembro a um acordo de “cessar-fogo” de 90 dias. Porém, devido aos conflitos ainda existentes a nível político e comercial, a região de Macau, altamente dependente do consumo do Continente, poderá sofrer

“Não pode haver cultura de arbitragem se não existirem casos”

Fernando Dias Simões tem sido uma das vozes que mais se tem ouvido propondo Macau como um centro de arbitragem com foco no relacionamento entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Sete anos após ter chegado a Macau, o docente de Direito trocou este mês a Universidade de Macau pela Universidade Chinesa de

Hospital virtual contra a insularidade

A criação de um hospital virtual que garanta o atendimento de doentes de todas as ilhas de Cabo Verde por especialistas, 24 horas por dia, é a grande ambição dos responsáveis do programa de telemedicina no arquipélago. Leia mais em Plataforma Media. Sandra Moutinho 11.01.2019

Mercado de dívida mais internacional

Portugal e Paquistão avançam em 2019 para a emissão de ‘panda bonds’. BNP Paribas tem autorização para investir no mercado. Leia mais em Plataforma Media. Maria Caetano 11.01.2019

Estreito de desentendimento

Apesar do discurso do presidente chinês, Xi Jinping, Taipé recusa termos propostos e diálogo político permanece distante. Governo de Macau dá apoio total à iniciativa do Presidente. Leia mais em Plataforma Media. José Carlos Matias 11.01.2019