百節金龍帶領巡遊隊伍出發

China arrecada prémios

No primeiro Encontro de Mestres de Wushu de Macau, que decorreu entre 11 e 14 de Agosto, contabilizaram-se mais de 1500 participantes. As equipas da China Continental foram as grandes vencedoras dos diferentes campeonatos. 

Foram quatro dias inteiramente dedicados ao wushu — kung fu, em cantonês — que incluíram uma Competição Internacional de Taolu, o Suncity Grupo Campeonato dos Mestres de Sanda Chineses e Ocidentais, e o Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM. No primeiro Encontro de Mestres de Wushu de Macau, no qual se registam 1500 participantes de vários países, a China Continental foi a grande vencedora.

O arranque do programa deu-se com a Competição Internacional de Taolu —  modalidade que envolve sequências de movimentos — e “contou com mais de 100 atletas, oriundos de Macau, Hong Kong, China Continental, Taipé, Cazaquistão, Alemanha, França, Grécia, Letónia, Rússia, Espanha, Turquia e Itália”, conforme se lê em nota de imprensa do Instituto do Desporto. Houve várias modalidades em confronto, nomeadamente o Nanqun, Zhangqun, Taijiquan, Yonghun Quan, Chang Qixie e Duan Qixie. Dada a natureza da modalidade, conforme esclareceu a organização, não houve vencedores.

Um dos momentos altos do evento foi a cerimónia de abertura, que teve lugar no dia 11, ao fim da tarde. Depois do corte da fita, decorreram várias demonstrações por parte das “elites locais de wushu e mais de 100 mestres oriundos da China Continental, Hong Kong, sudeste asiático e da Europa, exibindo técnicas de Kung Fu, nomeadamente, Shaolin Ying Qi Gong, Er Zhichan, bem como mais de 10 equipas de dança de leão e de dragão de vários estilos”.

No segundo dia de trabalhos, o destaque foi o Campeonato de Desafiadores de Sanda — o chamado boxe chinês —, com vários atletas locais e da China Continental a defrontarem-se. Decorreu ainda, no Pavilhão do Tap Seac, o Campeonato dos Mestres de Sanda Chineses e Ocidentais, que contou com a participação de atletas da China Continental, Egipto, Índia, Turquia e Líbano. Metade dos dez combates foram ganhos por atletas da China Continental, Macau ou Hong Kong, enquanto os restantes vencedores são naturais do Uzebequistão, Rússia e Egito.

Também no Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM, que decorreu no dia 13 de Agosto, os atletas vencedores eram oriundos da China Continental. Já o segundo lugar foi para participantes de Macau.

Ao longo dos quatro dias de eventos, houve várias atividades espalhadas pela cidade, incluindo demonstração e instrução dos mestres de wushu, desempenho de wushu tradicional, demonstração e instrução de wushu tradicional, demonstração e experiência da dança de leão, na Praça da Amizade, no Jardim de Iao Hon e no Largo do Senado.

Paralelamente, teve ainda lugar o Fórum de Wushu, com “especialistas  a leccionarem e a partilharem as suas experiências”. Durante o evento foram ainda instaladas expositores com produtos criativos locais.

A incerteza da repetição

Lei Si Leng afirma que o primeiro Encontro de Mestres de Wushu correspondeu às suas expetativas, mas, dadas as críticas que circulam na Internet, a responsável do Instituto do Desporto pela organização dos grandes eventos, admite não saber se no próximo ano haverá repetição.

Apesar das queixas, Lei Si Leng, afirma que o primeiro Encontro de Mestres de Wushu correu bem. Ainda assim, em declarações ao PLATAFORMA, a responsável do Instituto do Desporto pela organização dos grandes eventos admite que a chuva foi um obstáculo e que há pontos que se podem melhorar caso a iniciativa se repita.

“A parada, a cerimónia de abertura correu bem e as competições também”, refere. Porém, no decurso do Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM, registaram-se quedas de atletas de várias equipas em competição, levando a que se procure apurar motivos. “Não foi perigoso, não houve ferimentos graves”, garante.

Com a estrutura montada ao ar livre em plena Praça do Tap Seac e dada a chuva, os atletas e a Associação Geral de Wushu de Macau reuniram-se antes para se prepararem para as condições climatéricas adversas. “Pediram [a Associação] aos atletas para evitar gestos de grande dificuldade”, refere, acrescentando: “Porém, as próprias equipas acharam que seriam capazes de continuar da mesma maneira.”

Conforme lhe foi explicado pela própria Associação Geral de Wushu de Macau, Lei Si Leng refere que os incidentes ocorreram por um motivo simples: “Por causa da chuva, os sapatos estavam molhados.” Assim, Lei Si Leng admite que numa próxima vez terão de preparar “melhor” a instalação ao ar livre ou “simplesmente mudar para o interior”.

As queixas

Nos fóruns da Internet, há alguns residentes a insurgirem-se contra o certame, apontando algumas falhas. Uma das críticas passa pelo orçamento disponibilizado pelo Governo para a realização deste evento e que ascende a 20 milhões de patacas. “Uma coisa é o orçamento e outra é a despesa efetiva, são coisas diferentes”, refere Lei Si Leng, garantindo que, depois de concluído o relatório financeiro, deverão chegar à conclusão de que nem sequer alcançaram esse valor. De qualquer maneira, assegura que as despesas são muitas com atletas, mestres, participantes, além da promoção, marketing e decoração.

Outra crítica apontada referia-se aos patrocínios de operadoras do jogo como a Suncity ou a SJM e cujos montantes não são públicos. “São patrocinadores e temos um acordo — sem autorização da empresa, não podemos dizer quanto pagaram. Isto não é um segredo, é um acordo com a própria empresa”, garante.

Críticas à parte, Lei Si Leng está satisfeita com os números que já chegaram às suas mãos. “Sabemos que entre o primeiro e o terceiro dia, tivemos uma média de 15000 espetadores por dia”, diz, assegurando que a contagem foi feita através dos bilhetes e dos passes VIP, não se incluindo nestes números o público que se encontrava à volta. Também a população que acompanhou a Parada com as Personagens de Wushu não entram nesta contagem.

Assim, ainda que admita que “há coisas [pequenas] que não estavam bem feitas”, Lei Si Leng diz que, no geral, a população parece favorável à iniciativa. “As pessoas que gostam desta modalidade estavam a gostar. Alguns turistas com quem conversei também gostaram”, diz. 

Outra crítica que lhes foi apontada refere-se às decorações que imitavam os cenários da China e que terão sido posteriormente postas à venda na Internet. “Entregamos o design e a instalação a uma empresa de Macau, foi um processo normal”, diz.

Sobre os bilhetes gratuitos que foram distribuídos pelos interessados, Lei Si Leng diz que se trata de um mecanismo para assegurar a limitação do número de pessoas. “Cada espaço tem uma certa capacidade limite. Só para controlarmos o número de pessoas que entram, fizemos vários planos — e decidimos que haveria bilhetes gratuitos só para alguns competições e as cerimónias”, refere.

Além disso, é sabido que, “no caso dos bilhetes gratuitos, muitas pessoas não aparecem no próprio dia”, cabendo-lhes também preparar outros ingressos para serem distribuídos pela população interessada, caso haja desistências. “Disseram que não demos bilhetes nos dias do evento, mas não foi verdade.”

Feito o rescaldo, Lei Si Leng diz que agora há que ter em conta a opinião pública e verificar se se reunem condições para organizar este evento anualmente, conforme era a intenção inicial. “Se a população não gostar, os deputados à Assembleia Legislativa podem, por exemplo, chumbar uma proposta de orçamento”, diz.

No último dia do certame, destaque para a Parada com as Personagens de Wushu. Com início nas Ruínas de São Paulo, passando posteriormente pelo Lago do Senado, o Albergue da Santa Casa da Misericórdia e o Largo de São Domingos, o desfile terminou na Praça de Tap Seac.

O Encontro dos Mestres de Wushu foi co-organizado pelo Instituto do Desporto e pela Associação Geral de Wushu de Macau, em colaboração com a Direção dos Serviços de Turismo, do Instituto Cultural e do Fundo das Indústrias Culturais, contando ainda com o apoio da Federação Internacional de Wushu, da Federação Asiática de Wushu e da Associação de Wushu da China. O evento envolveu um orçamento de 20 milhões de patacas. 

7. 嘉賓主持啟動儀式

As diferentes motivações

Os números oficiais referem-se a mais de 1500 atletas e mestres no primeiro Encontro de Mestres de Wushu. O PLATAFORMA conversou com alguns e ficou a saber que os objetivos, ideias e opiniões variam, consoante a sua origem.

Dois a dois, os atletas movem-se por debaixo de um leão, procurando dar-lhe vivacidade, energia e superar os pilares, dispostos de maneira irregular, forçando-os a passos difíceis. Alguns minutos depois, um passo em falso é suficiente para deitar abaixo um dos atletas, que é rapidamente substituído por outro. “Ga Yau” (o equivalente a força, em Português), ouve-se, ao microfone, numa tentativa de animar os atletas. Um dos momentos altos do primeiro Encontro dos Mestres de Wushu — o Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM — foi também um dos mais duros, deitando abaixo elementos de seis equipas em competição. Nos bastidores da competição, o PLATAFORMA aproveitou para conversar com alguns atletas.

“O objetivo fundamental nesta participação é o intercâmbio, é ganhar experiência; se conseguir bons resultados, tudo bem; se não, o objetivo é procurar fazer melhor da próxima vez”, diz Liu Yu Chung, minutos antes de saber que a equipa que representa — China Southern Power Grid Company Limited — iria ser a vencedora do Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM.

Para o atleta — que é o tamborileiro da equipa —, o intercâmbio que resulta de um evento deste género refere-se a mais do que apenas convívio. “Cada equipa participante tem a sua forma de postura por cima dos pilares; o ritmo com o tambor também tem a sua própria característica, por isso, acho que posso ver muito do que os outros fazem e aprender com eles”, declara.

Com o evento a congregar atletas ocidentais e orientais num mesmo espaço, é caso para se perguntar se há diferenças entre ambos. “Apesar de divulgado [o wushu] pela Europa e resto do mundo, na Ásia temos a vantagem de termos os recursos e poder estar num nível superior ao deles”, afirma. Ainda assim, acredita que há algo “que pode aprender com os ocidentais” e que se refere à persistência perante as adversidades. “Não cessam enquanto não atingem aquele nível que estabeleceram; há um espírito de treino contínuo até conseguirem alcançar o seu objetivo”, realça.

Natural de uma cidade vizinha de Foshan — berço do wushu na China Continental —  Liu Yu Chung afirma que, no seu caso em particular, o interesse pela dança do dragão e de leão tem raízes familiares. “Os pais e avós sempre praticaram a modalidade”, diz. Aos sete anos começou a aprender e, hoje que já tem 20, mantém o entusiasmo. 

O interesse surgiu por influência familiar, mas também por ser uma modalidade desafiante. “Cada vez que participo em competições internacionais e asiáticas, traço sempre um objetivo — é a luta pela vida o objetivo que traço e o caminho que levo para alcançar este objetivo é o que dá motivação para continuar em frente”, refere. Também o move o espírito de amizade que se constrói ao praticar a modalidade.

As críticas locais

Por seu turno, o atleta da equipa HW Macau, Wong Kuong Lap, 22 anos, que participou também no Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM, realçou aspectos menos positivos do evento. “Por causa da chuva, o tapete absorveu muito água, ficou muito escorregadio e isso prejudicou em termos de prestação na competição”, diz, justificando os vários acidentes ocorridos. 

Wong Kuong Lap aproveitou a entrevista para apontar aquilo que considera ser algumas falhas na organização. “A sequência do programa não é muito transparente; muitos de nós não sabíamos a sequência e a ligação do que se faz”, afirma. A isso se junta “as mudanças de última hora”, tornando os treinos bastante imprevistos.

Ainda assim, o primeiro Encontro de Mestres de Wushu trouxe a possibilidade de “intercâmbio” com equipas estrangeiras. “Com a participação de equipas do exterior há sempre um nível de intercâmbio em termos de conhecimento da matéria, mas uma vez que o tempo não é muito, cada equipa se preocupa muito com o seu próprio treino para a competição”, realça.

Interessado numa repetição do evento no próximo ano, o participante revela que da próxima vez espera que este campeonato se realize num recinto fechado, de forma a que não precise de sofrer com as condições climatéricas. 

Wong Kuong Lap, 22 anos, afirma que há quatro anos treina dança do dragão e do leão. “Aprendi uma base no chão há uns quatro anos; depois desta base, passei à acrobacia em  cima dos pilares”, diz. 

Interessou-se pela modalidade por se tratar de uma modalidade tradicional da cultura chinesa e por, através da sua prática, poder divulgá-la. Além disso, trata-se de um “grande desafio por ser difícil, sobretudo o movimento de saltar de um pilar para o outro”, referindo ainda que “a fase aérea é estimulante”, e que a superação destes desafios dá-lhe “muita motivação”.

À procura dos mestres

Portugal está representado no primeiro Encontro de Mestres de Wushu através de uma delegação de cinco atletas, e que integram a escola de artes marciais do Porto chamada She-Si. “Fazemos wushu de competição, tai chi e também wushu tradicional — dentro destes, há centenas de estilos, fazemos alguns do sul da China”, diz o professor Diogo Sant’Ana ao PLATAFORMA, que estava a assistir ao Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM, acrescentando que o fundador da escola é Paulo Araújo e que este treinou em Macau. “A raiz da escola é aqui”, realça.

No Encontro de Mestres de Wushu de Macau não participaram na vertente competitiva, apenas na demonstrativa. “Estivemos na demonstração de dança do leão, fizemos apresentação de kung fu, e estamos no desfile e no encerramento”, refere.

Realçando que este Encontro foi “extraordinário” por ter reunido no território “muitos dos grandes mestres de artes marciais chinesas”, incluindo monges de Shaolin — o templo Shaolin é um famoso mosteiro budista localizado na montanha Shaoshi —, Diogo Sant’Ana afirma fazer um balanço positivo. 

E realça que notam-se “diferenças de prática” em relação à República Popular da China. “Treinei numa escola de Pequim, com professores de Pequim, que me ensinaram a mim e a outros chineses”, revela, acrescentando: “Enquanto no Ocidente a maior parte das escolas são amadoras e as pessoas têm outras ocupações profissionais e um tempo de prática condicionado, aqui [China] para certo tipo de escolas há um patrocínio, conseguindo, por isso, alcançar um nível mais elevado.” Por outro lado, em particular no Sanda (o boxe chinês), nota-se já “que as escolas ocidentais são muito boas e até ultrapassam os chineses”. 

Professor de artes marciais na escola She-Si, no Porto, Diogo Sant’ana acabou por seguir esta vertente profissional por ter sempre sentido uma ligação ao Oriente. “Licenciado em Astronomia, estudei muita história da China — a astronomia chinesa é antiga. Desde os tempos de faculdade, que sinto paixão pela cultura chinesa. Fui para Pequim e depois disso passei a dedicar-me a 100 por cento”, refere.

O atleta diz ainda que cresceu a assistir à série de televisão cantonesa Jovens Heróis de Shaolin, que “contava a história de quatro monges no fim da dinastia Ming”, marcando uma geração. “Essa série foi das primeiras a levar as artes marciais ao Ocidente”, revela. E, desde sempre, quis ser um desses heróis. “Tive a felicidade de encontrar um mestre em Portugal que fazia tai chi [Paulo Araújo]; através dele consegui vir a Pequim, e agora dedico a minha vida ao tai chi, pelo equilíbrio que me dá”, realça.

Para Diogo Sant’Ana, este Encontro de Mestres de Wushu é um marco, até porque “sempre teve o sonho de vir a Macau”, mas também queria ver outras escolas e conhecer as diferentes práticas. 

No Campeonato das Danças de Dragão e de Leão da SJM, os atletas vencedores eram oriundos da China Continental, enquanto o segundo lugar foi para participantes de Macau. No Campeonato das Danças de Dragão havia quatro equipas em competição, enquanto sete defrontaram-se no Campeonato das Danças de Leão. 

Luciana Leitão

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