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Domínio africano nas ruas de Macau

Quénia domina nos homens. Felix Kiptoo Kirwa vence Maratona Internacional de Macau

A edição deste ano da Maratona Internacional de Macau (homens) consagrou o queniano Felix Kiptoo Kirwa, que percorreu os 42,195 quilómetros da prova em 2:10.01, tempo que bateu o anterior recorde da corrida local, fixado pelo também queniano Juliuis Kiplimo Maise (2:12.43), em 2013. O pódio desta 36.ª edição da prova ficou fechado com mais dois atletas quenianos: Joseph Kyengo Munywoki (2:13.18) e Henry Sang (2:13.48).

Já do lado feminino, o primeiro lugar na maratona foi para Eunice Jepkirui Kirwa, natural do Quénia, mas a correr pelo Bahrein, com 2:29.12. Este tempo constitui também novo recorde da prova, que estava na posse da etíope Tsega Gelaw Reta (2:31.48), desde 2011. Em segundo lugar chegou a ucraniana Shafar Oleksandra (2:33,06), e em terceiro, a queniana Rodah Jepkorir Tanui (2:33.41).

Na meia-maratona masculina, com um percurso de 21,09 quilómetros, os três primeiros lugares também foram arrecadados por corredores quenianos. Josphat Menjo venceu com o tempo de 1:04.49, logo seguido de Kibiwot Samwel (1:04.49) e de Joseph Ngare (1:05.20), vencedor da corrida em 2015.

O português Daniel Pinheiro, que triunfou em Macau em 2014, ficou em sexto com o tempo de 1:07.28. 

O atleta das Águias de Alvelos disse no final da prova que esperava ter feito “um melhor resultado e repetir a vitória”, “mas não foi possível uma vez que a ‘armada’ queniana apostou forte na corrida”.

O recorde da prova masculina da Meia Maratona de Macau pertence, ao queniano Hezron Otwori, com 1:02.55, desde 1997.

Meia maratona com portuguesa no pódio

No setor feminino, o troféu da meia-maratona acabou nas mãos da portuguesa Doroteia Peixoto, que venceu a corrida de Macau pela segunda vez consecutiva. A atleta dos Amigos da Montanha cumpriu a distância em 1:16.00, à frente das quenianas Edinah Jeruto Koech (1:16.31) e Margaret Njuguna (1:18.20). 

“O meu objetivo era tentar bater o recorde do percurso. Fiquei mais perto, mas não consegui, embora tenha melhorado o tempo de há um ano (1:16.40). De qualquer forma, fiquei muito feliz com esta vitória, até porque a humidade dificulta a respiração. Este ano [a vitória] foi mais apertada, a queniana deu luta até ao fim”, afirmou aos jornalistas, antes de subir ao pódio.

O recorde da prova feminina da Meia Maratona de Macau pertence, desde 1997, à queniana Beatrice Omwans, com 1:15.31.

A participação portuguesa na edição deste ano da mais importante prova de atletismo do território, ficou encerrada com o nono lugar da atleta Vera Nunes na maratona, com o tempo de 2:37.41. 

A atleta do Benfica, que tinha apontado para um lugar “entre as dez primeiras”, conseguiu alcançar esse objetivo, lembrando que a vantagem na corrida esteve ao lado de “quem se adaptou melhor à humidade”.

Relativamente ao circuito, os três atletas lusos consideraram-no “bom para fazer boas marcas”, por ser “praticamente todo plano e rápido”, sendo unânimes em identificar as subidas nas pontes, incluídas no percurso, como a parte “mais difícil” da prova.

Mini Maratona liderada por chineses

Na Mini Maratona, foram vencedores nos masculinos nas categorias A, B e C Wong Chin Wa (Macau), Che Chon Hin (Macau) e Chow Chun Kuen (Hong Kong). Nos femininos, na categoria A, B e C, Tang Xiaoying (Macau), Chen Ying Lin (Macau), e Lai Ching Chan (Hong Kong) subiram ao pódio. Já na Taça Grupo Ativo Mini Maratona, o Galaxy Entertainment Group sagrou-se campeão na categoria de Serviços Públicos/Serviços Privados, enquanto que o Colégio Mateus Ricci venceu na categoria Organizações Coletivas/Desportivas.

Lusofonia no top 15

Ainda na meia-maratona vários atletas lusófonos marcaram presença. As atletas de Cabo Verde, Sandra Teixeira, de Angola, Adelaide Machado, e de Timor-Leste, Nélia Martins, terminaram a prova, respetivamente, na sexta, sétima e oitava posições.

Em masculinos, o moçambicano Tonderai Afonso, o cabo-verdiano Nélson Cruz, o angolano Simão Manuel e o timorense Roménio de Deus Maia ficaram no nono, 11.º, 12.º e 13.º lugares, respetivamente.

Quem esteve em Macau, mas não pode competir foi Rosa Mota, de 59 anos. A campeã olímpica, mundial e europeia da Maratona, vinha para participar na Mini Maratona de Macau (6,5 quilómetros), que ganhou em 2016, mas um problema físico estragou-lhe os planos. “Gosto muito de vir a Macau, de participar, mas uma lesão impediu-me de correr este ano”, disse, reiterando que a prova tem “melhorado de ano para ano”.

Esta foi a 36.ª edição da Maratona Internacional de Macau, em que se inscreveram 12 mil atletas nas diversas provas que integram o programa: Maratona, Meia Maratona e Mini Maratona.  

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36 anos de triunfos

A Maratona Internacional de Macau realizou-se pela primeira vez em 1981, impulsionada pelo entusiasmo do Clube Desportivo Panda, que queria concretizar o sonho de organizar uma corrida de estrada que ligasse Macau, Taipa e Coloane. 

Com o patrocínio de várias empresas e o apoio de associações locais, a primeira edição da prova juntou cerca de 400 corredores, sendo que metade deles veio do estrangeiro. 

A realização da prova, até aí inédita, trouxe para as ruas da cidade por onde passou o percurso da prova milhares de pessoas que vieram incentivar os corredores a acabar a corrida. 

Nos seis anos seguintes, a prova continuou a realizar-se, sempre com o apoio de privados. Só em 1987 a Maratona passou a ter apoio de uma entidade governamental, sendo organizada pela Associação de Atletismo de Macau e pelo então recém-criado Instituto do Desporto. 

Com a entrada de Macau na Associação Internacional de Maratonas e Corridas de Rua (AIMS, na sigla inglesa), em 1990, os percursos da prova passaram a ser reconhecidos por esta organização. Desde então, foi também estabelecido um novo modelo de organização, em que uma entidade do Governo local cooperaria com uma coletividade.

Em 1997, ano em que o Estádio de Macau foi inaugurado, a organização decidiu avançar apenas com a meia maratona, mas no ano seguinte passou a lançar as três provas que ainda hoje se mantêm: maratona (42,1 km), meia-maratona (21,09 km) e mini maratona (5,5 km). O objetivo é tornar o evento acessível a todos, independente da idade e da capacidade física. Desde finais da década de 1990, mais e mais maratonistas de renome têm-se juntado à prova, fazendo com que Macau alcance prestígio internacional. Em 2004, a Maratona Internacional passou a contar com o apoio de um patrocinador principal – neste momento a Galaxy Entertainment –, permitindo estender os prémios pecuniários à categoria feminina, incentivando a uma maior participação das mulheres na competição.   

Ação de sensibilização antidopagem

Dois especialistas do Centro de Controlo Antidopagem da Administração Geral dos Desportos da China (CHINADA) participaram, durante o fim-de-semana, numa ação de sensibilização no âmbito da luta contra o doping no desporto.
Li Keke e Sun Leda tiveram a companhia da atleta portuguesa Rosa Mota que, aos 59 anos, estava inscrita para tentar repetir a vitória na prova da mini maratona, alcançada há um ano, mas uma lesão acabou por impedir a antiga campeã olímpica, mundial e europeia da maratona de correr este ano.
O trio esteve no Estádio da Taipa, junto ao local onde os atletas participantes foram levantar as respetivas credenciais e dorsais para participarem nas provas.
Esta iniciativa, promovida pelo Instituto do Desporto, teve como grande objetivo sensibilizar os participantes para os riscos associados ao uso de substâncias dopantes.
O evento de sensibilização abrangeu jogos interativos e uma zona de exposição, ficando a cargo de Rosa Mota compartilhar a sua experiência e explicar por que razão é importante estar informado sobre as consequências do recurso a substâncias dopantes. Já Li Keke e Sun Leda participaram num debate de ideias com os participantes.

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