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Aumento das tarifas tarda em pesar na economia

O ritmo do PIB chinês está a abrandar, mas sem efeito nas exportações. Depois de março, porém, ainda tudo pode mudar. 

Até ver, a economia chinesa abranda, mas ainda não por efeito do aumento de tarifas nas vendas aos EUA. Metade das exportações chinesas para o país encareceram desde o último verão por efeito de aumento de taxas, mas Pequim registou ainda em novembro um maior excedente comercial com Washington. As vendas  a importadores norte-americanos aceleraram 10% – quase o dobro da subida registada no volume global de exportações neste mês.

Os dados do comércio internacional, divulgados pelas Alfândegas chinesas no último sábado, sugerem que as exportações continuaram no mês passado a ser expedidas com antecipação para o mercados dos EUA como forma de evitar a penalização tarifária – aumento de taxas de 10% para 25% – prometida pelo Presidente Donald Trump para janeiro. O agravamento está agora suspenso em resultado das tréguas comerciais de 90 dias acordadas entre Trump e o presidente Xi jinping na cimeira do G20 de Buenos Aires. Março é o novo prazo para acordo.

Em novembro, a China vendeu mais 5,4% de bens ao resto do mundo, num total de 227,4 mil milhões de dólares. Houve abrandamento nas exportações, mas não nas direcionadas para os Estados Unidos. Para este mercado, as vendas aumentaram 10%, atingindo 46,2 mil milhões de dólares. 

Em contrapartida, as compras chinesas ao mercado americano caíram 25%, para apenas 10,7 mil milhões de dólares. O excedente comercial mensal foi o maior de sempre registado, de 35,6 mil milhões de dólares.

No geral, as importações chinesas cresceram 3% em novembro, para 182,7 mil milhões de dólares. Foi o ritmo de crescimento mais baixo desde outubro de 2016, mantendo-se a tendência de recuo nas compras da China ao exterior que tem vindo a ser relacionada pelos analistas com o abrandamento da economia do país. As quedas refletem sobretudo menos compras de bens industriais.

A Capital Economics refere que a descida de importações “é consistente com a evidência mais lata, incluindo uma descida no [índice de gestores] PMI da construção, de que a despesa com infraestruturas começou a enfraquecer após um curto salto em outubro”.

Após um terceiro trimestre com o PIB a abrandar para um crescimento de 6,5%, outros indicadores apontam um passo mais lento na atividade. Em novembro, a inflação homóloga caiu para 2,2%, por efeito sobretudo dos preços da alimentação e da energia. Também o ritmo de subida de preços na produção caiu para 2,7%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em termos mensais, petróleo, aço e cobre foram matérias-primas cujos preços desceram efetivamente. 

“A atividade económica parece encaminhar-se para enfraquecer ainda mais nos próximos meses à medida que o abrandamento do crédito pesa sobre a procura doméstica e o arrefecimento do crescimento global pesa sobre as exportações, mesmo que uma renovada escalada de tensões no comércio seja evitada”, afirma Julian Evans-Pritchard. Para o economista sénior da Capital Economics, os esforços das autoridades centrais para promoverem fôlego económico não surtirão efeitos até meados do próximo ano.

Mas além dos estímulos políticos à ação dos agentes económicos – com novidades esperadas da Conferência de Trabalho Económico liderada por Xi Jinping que se avizinha nos próximos dias -, o horizonte para lá do Pacífico ainda comporta ameaças. As tréguas com Washington são provisórias, e ensombradas pela recente detenção no Canadá da administradora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, suspeita de violar as sanções norte-americanas ao Irão. 

O Instituto de Finanças Internacionais prevê que a relativa imunidade da economia aos aumentos de tarifas pelos EUA deverá terminar, embora haja fatores a minimizar o impacto. A desvalorização do renminbi, uma procura externa forte e a estratégia de avançar exportações antes de novos aumentos de taxas têm permito que sejam outras forças – entre estas, os esforços para a redução do endividamento – a suster o passo à atividade. E a redução da dependência das exportações no PIB também atenua os riscos.

Ainda assim, o instituto que reúne as principais instituições financeiras internacionais acredita que a taxa de crescimento chinesa possa sofrer um perda entre os 0,2 pontos percentuais e 1 ponto percentual, dependendo do rumo que tomem as negociações com os Estados Unidos. Caso não haja mais agravamento de tarifas, o impacto não irá além de 0,2 p.p.. Uma escalada severa das tensões, com uma taxa de 25% aplicada à totalidade das vendas da China ao país, poderá representar um crescimento do PIB de apenas 5,5% – usando os indicadores oficiais atuais como referência.  

Maria Caetano 14.12.2018

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