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À DESCOBERTA DOS RETÁBULOS NA LUSOFONIA AFRICANA

 

Dezenas de retábulos – as construções por cima dos altares nas igrejas – sobreviveram, ao mudar dos tempos em África. Um livro, agora lançado, recorda essa história.

 

Diogo_de_Contreiras_-_Retábulo_de_Porto_de_Luz“Retábulos nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”, um livro que analisa os retábulos existentes nos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), lançado em Lisboa, pretende consciencializar as pessoas sobre a importância deste património histórico religioso.

“Este livro chama a atenção e leva a que junto das comunidades locais se ganhe consciência que há ali um testemunho patrimonial de vivências que houve entre povos e que são testemunhos de um passado que é importante preservar”, disse Francisco Lameira, um dos autores da obra.

O livro, intitulado “Retábulos nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”, da autoria de Lameira e João Canha e Sá, foi lançado este mês hoje na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

retabulo-de-santa-auta Os retábulos são construções de madeira, de mármore ou outro material, que ficam por trás ou em cima dos altares das igrejas e possuem ornamentos em relevo, painéis pintados e que sustentam imagens.

Lameira, que é professor de História da Arte na Universidade do Algarve, explicou que o facto de ter vários alunos de origem africana nos seus cursos – como Canha e Sá, um português nascido em Moçambique, que foi seu aluno no mestrado – possibilitou recolher material e estudar mais profundamente os retábulos desta região.

“É uma área muito interessante do património africano, que esteve durante algumas décadas no abandono, por questões climatéricas, por questões de guerra, de instabilidade, mesmo assim sobreviveram vinte e poucos retábulos. Alguns, tal como aqui no continente, têm muita qualidade e outros uma menor qualidade”, sublinhou Lameira.

O autor da obra disse que cerca de 20 retábulos sobreviveram na África lusófona e os dois núcleos fundamentais estão em Angola e Moçambique.

“Em Angola, neste momento, estão a ser feitas intervenções de conservação e consolidação do património, em Moçambique nem tanto, mas mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer”, indicou.

Livro_RetabulosFrancisco Lameira explicou que no livro também há imagens de retábulos que já não existem, que só sobreviveram em fotografias.

O professor de História da Arte referiu ainda que os retábulos de igrejas dos países africanos lusófonos na costa do Atlântico eram, sobretudo, enviados de Lisboa e dos países da costa do Índico tinham influências indo-portuguesas, sendo enviados de Goa e Damão.

No livro foram analisados, entre os vários, o retábulo da Igreja do Antigo Colégio dos Jesuítas, na Ilha de Moçambique (de origem goesa) e o da Antiga Sé de Cabo Verde, na Ribeira Grande, (de origem portuguesa).

A obra está associada a uma coleção de livros, sobre este mesmo tema, da revista “Promontoria Monográfica História da Arte”, da Universidade do Algarve, que já está a ser publicada há oito anos. “Nesta coleção, o objetivo é de estudar retábulos em diferentes contextos, como nas misericórdias, na Companhia de Jesus e nas dioceses (nas do Algarve, Beja e Setúbal já estão feitos os trabalhos)”, afirmou.

O livro, com cerca de 80 páginas, foi publicado em parceria entre a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de Loulé, contado com a adesão das embaixadas de Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

 

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