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CTG e EDP querem avançar para Moçambique

A maior empresa hidroelétrica do mundo, principal acionista da EDP, manifesta interesse em obter a concessão da controversa barragem de Mphanda Nkuwa, no Zambeze.

A China Three Gorges (CTG) pretende avançar a sua expansão internacional em parceria com a EDP com a construção de novas barragens em Moçambique, cujo Governo pretende nos próximos anos construir cinco hidroelétricas. Em particular, CTG e EDP estão a desenvolver iniciativas junto de Maputo com vista à obtenção da concessão da barragem de Mphanda Nkuwa, no rio Zambeze, um controverso projeto entregue em 2010 à brasileira Camargo Côrrea e à moçambicana Insitec, com a Eletricidade de Moçambique (EDM), e que até hoje não avançou.

“Estamos a tomar iniciativas para demonstrar ao Governo moçambicano que temos interesse, conjuntamente com outras empresas chinesas, em desenvolver projetos, nomeadamente o projeto de Mphanda Nkuwa, que é uma barragem no norte de Moçambique”, indicou ao PLATAFORMA João Marques da Cruz, administrador da EDP e responsável da Hydroglobal – consórcio formado pela CTG e EDP para projetos hidroelétricos em países africanos de língua portuguesa e na América Latina. 

O projeto de Mphanda Nkuwa, previsto para 60 quilómetros a jusante da barragem de Cahora Bassa no rio Zambeze, foi inicialmente avaliado em 2,4 mil milhões de dólares, e previa-se que ficasse concluído este ano quando, em 2010, o Governo de Moçambique entregou a concessão à EDM e às construtoras Insitec – liderada pelo atual ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural de Moçambique, Celso Correia – e Camargo Côrrea – uma das empresas brasileiras envolvidas no caso Lava-Jato. O China Exim Bank garantiu em 2009 o financiamento do projeto. A barragem, que se mantém como prioritária no plano de desenvolvimento da energia do país pelo atual Governo de Maputo, foi alvo de contestação por várias organizações ambientalistas moçambicanas e internacionais.

Depois do impasse de vários anos, CTG e EDP pretendem sinalizar o interesse no projeto. “Faz parte dos nossos interesses. Agora, no negócio de barragens há uma questão muito importante: quem decide é o concessionário. Quem decide neste caso é o Governo de Moçambique”, indica Marques da Cruz.

A intenção de expansão internacional para Moçambique foi sublinhada, na última semana, pelo diretor financeiro da China Three Gorges, Yang Ya, em deslocação a Lisboa, onde participou na 4ª Gala Portugal-China organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa como convidado e orador numa palestra sobre a iniciativa Faixa e Rota. O responsável da CTG destacou o papel de Portugal na estratégia energética da iniciativa proposta pelo Presidente Xi Jinping para investimento em novos corredores comerciais e infraestruturas. Após a construção de três barragens no Brasil com a EDP, e de outra no Peru por via da joint-venture Hydroglobal, o próximo passo será Moçambique.

“Há potencial hídrico em Moçambique e há procura por energia. Aquilo que não há é capacidade de construir novas barragens. Na CTG temos a capacidade técnica para, em conjunto com a EDP, construir as novas barragens. Há novas oportunidades e a EDP esteve na construção da maior barragem de Moçambique. Se trabalharmos juntos podemos encontrar uma solução para o Governo de Moçambique e para a população de Moçambique”, disse Yang Ya ao PLATAFORMA.

Os projetos, confirmou o diretor financeiro, estão a ser equacionados no quadro da Hydroglobal, consórcio CTG-EDP que tem atualmente a cargo a construção da barragem San Gaban III, com financiamento obtido junto do Banco de Desenvolvimento da China. Uma barragem com futura capacidade de 206 megawatts, bastante abaixo dos 1500 megawatts previstos para Mphanda Nkuwa.

O Governo de Moçambique pretende com o projeto Mphanda Nkuwa e de outras quatro barragens, além da expansão de Cahora Bassa, aumentar a capacidade de produção de energia hidroelétrica do país em 3600 megawatts. Os projetos encontram-se inscritos no planos quinquenal de 2015 a 2019. O investimento total foi estimado há dois anos em sete mil milhões de dólares. 

Maria Caetano

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