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A esperança numa nuvem de melhorias

Não há detalhes sobre o acordo-quadro, firmado entre a Alibaba Cloud e o Governo, que promete transformar o território numa cidade inteligente. Mas espera-se que venha a trazer melhorias em pontos como o trânsito, o consumo energético e a poluição.

O plano quinquenal de desenvolvimento da RAEM estipula que uma das estratégias de crescimento do território passa por “acelerar a construção da cidade inteligente, promovendo a fusão entre a indústria e a internet”. No início desta semana, o Governo de Macau assinou um acordo-quadro com a Alibaba Cloud — uma filial do grupo chinês Alibaba — que visa arrancar com este plano. Filipe Farinha, diretor da empresa de inovação tecnológica Macau Source, acredita que um projeto do género traga melhorias ao nível das infraestruturas, apesar de ainda não se saberem pormenores.

O acordo-quadro prevê o estabelecimento de um centro de computação em nuvem — um conjunto de servidores remotos alojados na internet para armazenar, gerir e processar dados em vez dos servidores locais ou de computadores pessoais — e de uma plataforma de megadados. E deverá dividir-se em duas fases, ao longo de quatro anos. 

A primeira etapa — até junho de 2019 — prevê a criação de um centro de computação em nuvem e de uma plataforma de megadados, e o início gradual de projetos de utilização dos mesmos em campos como a promoção do turismo, formação de talentos, gestão do trânsito, serviços de assistência médica, gestão integrada urbana e prestação de serviços urbanos integrados e tecnologia financeira. 

A segunda etapa decorre entre julho de 2019 e junho de 2021, implicando o aperfeiçoamento do centro de computação em nuvem e da plataforma de megadados, abrangendo outras áreas como proteção ambiental, passagem fronteiriça e previsões económicas. 

Para Filipe Farinha, daqui pode resultar uma série de benefícios. “Por exemplo, a curto prazo, pode trazer investimentos e empregos na área da tecnologia para Macau, isto se forem feitas parcerias entre o grupo Alibaba e pequenas e médias empresas em Macau”, refere. “Temos em Macau muitos indivíduos e empresas com interesse e capacidade para contribuir para este tipo de projeto.”

A longo prazo, um projeto desta envergadura “vai tocar em — e teoricamente melhorar — muitos aspectos da infraestrutura e de serviços públicos de Macau”, desde que “todas as entidades envolvidas cooperem”. Aliás, “normalmente, este projetos debruçam-se sobre eficiências ao nível do trânsito, do consumo energético, de poluição, entre outros” e o território “encontra-se numa posição muito fraca em relação a alguns destes aspetos”.

Reservas sobre a privacidade

Porém, a falta de informação sobre os detalhes, leva a que Filipe Farinha tenha reservas. “Não estou desconfiado, mas alguns detalhes ainda não são claros, nomeadamente do ponto de vista financeiro”, assinala. A chefe do gabinete do Chefe do Executivo, O Lam, em conferência de imprensa, afirmou não existir um “orçamento global”, devendo a adjudicação ser feita “projeto a projeto”.

Além disso, Farinha tem “reservas” em relação à proteção dos dados pessoais. O especialista lembrou “a combinação da Internet das Coisas (IoT) e megadados (Big Data) e os graves problemas de privacidade que daí podem resultar”. Por isso, o Gabinete para a Proteção de Dados Pessoais “deve ser uma peça fulcral” na implementação deste projeto em Macau.

O exemplo mais perto de casa de cidade inteligente é o de Hangzhou, onde se “implementou o sistema de ‘city brain’” e que, especula Farinha, “deverá ser o modelo para Macau”. Hangzhou tem a funcionar um projeto de megadados que, entre outros pontos, recolhe dados dos semáforos de trânsito e de monitores que se encontram em cruzamentos, de forma a otimizar o funcionamento destes. A Alibaba Cloud é uma das 13 firmas de tecnologia envolvidas neste projeto.  

Luciana Leitão

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