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A ponte que entre Hong Kong, Zhuhai e Macau está pronta, mas persistem algumas dúvidas

A abertura da ponte entre Hong Kong, Zhuhai e Macau está prevista para o segundo trimestre deste ano. Uma boa notícia para o setor de logística. No entanto, ao mesmo tempo, as políticas de inspeção de mercadorias e distribuição entre os três locais ainda não foram claramente anunciadas. 

A finalização e abertura desta ponte trazem ao setor logístico uma vantagem óbvia, isto é, uma maior eficiência na distribuição. Como disse Jacky Chan Wai Chi, presidente da Câmara do Comércio da zona industrial de Zhuhai e Macau, analisando o tempo de transporte, entre Hong Kong e Zhuhai são necessárias aproximadamente 10 horas. Todavia, depois da abertura da ponte, o tempo de distribuição necessário entre estes dois locais será reduzido a apenas algumas horas.

“Macau, é um porto livre, uma cidade de mercado retalhista, e é também, um dos centros mundiais de turismo, adicionando-se a isto tudo ainda o facto de ser uma plataforma comercial entre países lusófonos. Eu acredito que a construção desta ponte irá atrair o investimento de indústrias relacionadas, trazendo novas oportunidades de comércio. O movimento humano irá com certeza trazer movimento de mercadorias”, disse Jacky Chan Wai Chi, ao Plataforma. A maioria das empresas presentes na área industrial de Zhuhai e Macau pertencem à indústria da distribuição, comércio, comércio eletrónico, feiras e exposições, armazenamento, etc. Entre estas, já várias têm sucursais em Zhuhai.

Victor Lei Kuok Fai, diretor da Associação de Transportes e Logística de Macau, considera que a construção da ponte não só trará vantagens para a entrada e saída de mercadorias de Hong Kong, como para Hong Kong como ponto de passagem. “No caso de existirem entregas urgentes de mercadorias do estrangeiro ou de Hong Kong, esta necessidade poderá ser respondida”, disse Victor Lei Kuok Fai. 

No entanto, a construção desta infraestrutura também sugere que o mercado de logística está a enfrentar competição. Kun Pang Kou, académico da Universidade de Macau, disse acreditar que o fluxo mais eficiente de distribuição entre Hong Kong e Zhuhai irá ter impacto na distribuição entre Macau e Zhuhai. 

“Antigamente, o transporte de mercadorias entre Hong Kong e Zhuhai passaria sempre pela ponte Humen do Delta do Rio das Pérolas. Agora, com esta nova ponte, a quantidade de mercadoria transportada pode ser aumentada. Aeroportos de Zhuhai e Hong Kong também poderão ser ligados”, disse Kun Pang Kou, presidente do Instituto de Logística e Transporte de Macau. No entanto, o próprio acha que ainda há espaço para a criação de oportunidades comerciais entre o Governo e a indústria distribuidora.

“O aeroporto de Macau está neste momento em expansão (…), e o de Hong Kong está muito movimentado, estando até em construção uma terceira pista como forma de aumentar o tráfego do aeroporto. Por estas razões, porque não, através de taxas baixas e outras condições, levar a distribuição de algumas mercadorias até Macau por meio desta nova ponte, saindo depois pelo aeroporto de Macau?”, questionou Kun Pang Kou. 

já Jacky Chan Wai Chi, esclareceu que neste momento a câmara está à procura de formas de cooperação com Hong Kong, para encontrar um sistema vantajoso para ambos os lados. 

Dúvidas em relação à circulação

Mesmo depois da abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a indústria local de distribuição acredita que as políticas de inspeção e transporte de mercadorias ainda não estejam plenamente esclarecidas.

“As instalações e infraestruturas disponibilizadas pelos governos são muito importantes. Por exemplo: Os veículos de mercadorias de Hong Kong podem ou não vir até Macau e entrar no centro da cidade? E vice-versa. Os de Macau podem entrar no centro de Hong Kong? Na minha opinião, não existe problema no transporte dentro da China continental, no entanto, os veículos de mercadorias de Macau e Hong Kong são reconhecidos na outra RAE?”, questionou Jacky Chan Wai Chi. Lembrou ainda que o sistema de inspeção de mercadorias entre Hong Kong e Macau, tal como o sistema de candidatura a matrícula válida em ambos os locais, são problemas que têm de ser resolvidos urgentemente. 

“A inspeção de mercadorias poderá ou não afetar a eficiência do transporte das mesmas? O governo irá ou não construir armazéns públicos? Todos estes aspetos estão ligados à necessidade de comunicação com Hong Kong, e irão fortalecer esta colaboração”, declarou Jacky Chan Wai Chi.

Victor Lei Kuok Fai também referiu que não existe um desembarque de cargas entre Zhuhai e Macau ativo 24 horas, sendo por isso um problema que precisa de ser resolvido.

“Até este momento, sabemos que esta nova ponte irá criar uma nova ligação entre Hong Kong e Macau e entre Hong Kong e a China continental, mas ainda não foi mencionada uma ligação entre Macau e a China Continental. O que me deixa triste e confuso é que Zhuhai já anunciou que o seu ponto de distribuição já foi terminado, mas não foi mencionado se este canal inclui ou não Macau”, lembrou Victor Lei Kuok Fai ao Plataforma.

He Ningka, diretor da Comissão de Desenvolvimento e Reforma de Guangdong, disse durante uma conferência de imprensa realizada no dia 25 de janeiro, que o projeto principal da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o das três linhas de ligação já foram terminados, estando neste momento a decorrer testes e dando por terminado o processo de construção da ponte. 

Existem quatro grandes sistemas de inspeção no porto de Zhuhai, tendo dois destes já sido completamente terminados. Os meios de comunicação locais citaram Wang Jiwei, diretor do Gabinete de Construção da Alfândega de Gongbei na ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, dizendo que este equipamento consegue rapidamente inspecionar o conteúdo das mercadorias sem abrir as caixas, através de sistemas de radiação. 

Formas de pagamento

A Comissão de Desenvolvimento e Reforma de Guangdong, no passado mês de dezembro, abriu uma audição em relação à cobrança de portagens a veículos que utilizem a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Um total de 15 participantes foram convidados para esta reunião, entre estes, cinco de Macau.

Durante a audição foram apresentadas duas soluções, ambas sugerindo uma portagem no valor de 115 RMB para contentores de mercadorias, e 60 RMB para veículos de mercadoria normais. Kun Pang Kou, professor associado da Universidade de Macau, foi um dos convidados. O próprio explicou que durante a reunião foi mencionado um sistema de inspeção, no entanto não de forma detalhada.

Jacky Chan Wai Chi defendeu que os valores da portagem precisam de ser esclarecidos. 

“Pelo nosso entendimento, o valor da portagem não inclui a viagem de regresso. Se este entendimento estiver correto, implica um custo de 300 patacas por cada viagem. Este preço poderá ou não ser reduzido”,  interrogou Jacky Chan Wai Chi.

Li Guohui, Diretor da Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau, comentou que o valor de 115 yuans por veículo é aceitável. A sua associação conta com mais de 20 empresas membro, abrangendo os setores de transporte aéreo, terrestre e marítimo, armazenamento e tecnologias relacionadas. 

Shao Hua  09.02.2018

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