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Startup de Hong Kong ao serviço dos ‘sem-banco’

A Ásia, com mais de metade da população que não tem acesso a serviços financeiros tradicionais, é o mercado da TNG Fintech. A startup cresceu a partir de Hong Kong com um sistema de pagamentos móveis que serve os trabalhadores migrantes.

Com menos de dois anos de operações, a TNG Wallet é o hoje o primeiro sistema de pagamentos móveis de Hong Kong. Os principais clientes da plataforma são os trabalhadores migrantes da região, aos quais os serviços de remessas com custos mais baixos e a dispensa de conta bancária para registo garantem, semana a semana, o envio de valores às famílias que vivem um pouco por todo o sudeste asiático. 

A TNG Fintech, que detém o serviço, descreve-se como um banco virtual. “É como ter um banco no bolso”, diz ao PLATAFORMA Alex Kong, o fundador da startup. Mas, o que a TNG faz é servir os chamados ‘sem-banco’, aqueles que se encontram excluídos de abrir uma conta bancária. Nos dados do Banco Mundial, são dois mil milhões em todo o mundo – mais de metade dos quais a viver na Ásia.

A TNG, fundada em 2012 e em operações desde 2015, tem vindo a crescer organicamente a partir de Hong Kong, acompanhando o sentido das remessas dos seus utilizadores para chegar às famílias beneficiárias das transferências. Está hoje representada em 13 países e, em setembro, destacou-se por captar 115 milhões de dólares americanos numa série A de investimento a startups, tendo por trás capital de risco de Taiwan e capital privado de Hong Kong – os fundos Nogle e KBR Capital Partners, respetivamente, para os quais o modelo da startup fez sentido.

“O nosso volume de transações excedeu os 800 milhões de dólares de Hong Kong [em Outubro]. O nosso crescimento mensal de transações está numa média de 60 por cento para o período dos últimos 18 meses. Nos últimos meses, crescemos em mais de 500 vezes. [Em Novembro] esperamos atingir transações no valor de mil milhões de dólares de Hong Kong”, diz Alex Kong.

O serviço TNG Wallet conta atualmente 780 mil utilizadores registados em Hong Kong, representando um quinto da população ativa da região, e superando em 20 por cento os volumes de transações operadas através do cartão de pagamentos Octopus – presente em Hong Kong há duas décadas, e que atualmente está também a reinventar operações, procurando expandir serviços na área dos pagamentos móveis. 

“As pessoas usam a nossa ‘wallet’ em estabelecimentos como o 7-Eleven, nas estações de correios, lojas de conveniência e casas de penhores, que funcionam como se fossem as nossas agências. É possível entrar em qualquer 7-Eleven para levantar ou depositar dinheiro 24 horas por dia”, nota o fundador da TNG.

A startup diz deter o único serviço móvel de remessas transfronteiriças instantâneas existente. “As famílias conseguem receber o dinheiro imediatamente. A rapidez é muito importante. E, para este grupo de utilizadores ‘sem-banco’ todos os dias são dias de emergência. Quando enviam o dinheiro, a família precisa mesmo dele”, diz Kong. 

Segundo o fundador, os custos por transação são atualmente de 19 dólares de Hong Kong e abaixo dos praticados por agências de remessa convencionais. É destas taxas, e de uma cobrança de 1,25 por cento por compra nas transações junto dos retalhistas que adotaram o serviço, que a TNG retira o retorno.

Mas, apesar da velocidade das transferências e baixos custos associados, Alex Kong assegura que a TNG se encontra obrigada ao mesmo tipo de requisitos de devida diligência que as instituições financeiras tradicionais. “Funcionamos como um banco”, diz. “O nível de segurança é o mesmo, e os padrões são os mesmos. Mas fazemo-lo de uma forma muito mais eficiente. Quando é enviada uma remessa, numa fração de segundo realizamos o processo de controlo dos beneficiários para assegurar que não há ligações criminosas ou terroristas”, explica.

Os custos com o cumprimento de regulamentação são no entanto vistos pela TNG como um obstáculo a investimento em mercados de reduzida dimensão, como o de Macau, para o qual a startup não pensa para já expandir-se. “Com o tempo que é preciso gastar com os reguladores, mais vale despender esse tempo noutro país com uma população maior”, admite Alex Kong, apesar de Macau estar “sempre a aparecer” no horizonte da startup de Hong Kong.

“As pessoas pedem-nos que levemos os nossos serviços até Macau. Neste momento, não me parece que possa acontecer imediatamente (…). A questão é ter o parceiro certo e a dimensão do mercado, que é demasiado pequeno para justificar os custos de conformidade”, afirma, numa altura em que a TNG projeta nova expansão na sequência da última ronda de investimento.

O alvo são “países em desenvolvimento abrangidos pela iniciativa Faixa e Rota’ ”, com uma aposta nas zonas não-urbanas. “O nosso foco são os países em desenvolvimento onde até 90 por cento da população não tem uma conta bancária. E, até aqui, pelo que temos vistos, são as zonas rurais que primeiro vão transformar-se em sociedades sem numerário e não as zonas metropolitanas. Todos os que vivem nas grandes cidades já têm contas bancárias”, nota Kong. 

Maria Caetano

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