Meeting with Startup Incubator and Accelerator Guangzhou

Startup local quer vender experiências no Continente

A primeira startup de Macau dedicada à venda de experiências a turistas da China continental é apresentada este mês. É exemplo de um negócio que procura alcançar o mercado para de lá da fronteira em formato digital.

A Follow Me Macau é uma startup local dedicada à venda online de experiências de lazer e apresenta-se com a primeira que o faz tendo como alvo o mercado turístico do interior da China. Marco Rizzolio e Hugo Felício, fundadores, dizem que decidiram avançar com o negócio há dois anos, inspirados pelos apelos do Presidente Xi Jinping à diversificação da economia da região e aposta em sectores além do jogo. O serviço vai ser apresentado este mês na Feira Internacional de Macau (MIF na sigla inglesa).

“Não existe nenhum portal de Macau e em Macau a fazer isto. Existe na China [continental], mas nós oferecemos outras experiências que não estão nesses portais e que são difíceis de encontrar”, diz Marco Rizzolio. 

O portal dos empresários, criado em Macau e focado no mercado da região do Delta do Rio das Pérolas, é apresentado dia 20. Por agora, tem cerca de 65 atividades disponíveis, como passeios a cavalo, escalada e corridas em Coloane, passeios de barco, atividades de paintball e softball. Mas vai ter mais.

“Há um potencial enorme de crescimento”, prevê Marco Rizzolio, otimista perante o aumento da classe média do Continente chinês e a alteração do perfil do turista do país.

O empresário, de 43 anos, lembra que os ‘millennials’ – como tem vindo a ser designada a geração que nasceu entre 1980 e 2000 – já representam dois terços dos viajantes chineses. “Vamos passar de um turismo de massas para um turismo que sabe e procura o que quer fazer. É aí que nos queremos situar”, explica.

Só no ano passado, entraram em Macau mais de 20 milhões de turistas da China continental – a maioria dos cerca de 30 milhões de visitantes que a cidade recebeu e que fizeram desta a mais visitada do mundo. 

O ‘boom’ do turismo chinês levou os fundadores da Follow Me Macau a acreditar que o negócio é viável. Se crescer como esperam – projetam – pode vir a ser reproduzido noutros territórios de língua portuguesa como Portugal ou Brasil. Marco Rizzolio e Hugo Felício confessam, no entanto, que chegar até aqui não foi fácil. Se ao nível da criação e financiamento de uma empresa em Macau não há dificuldades a apontar, o mesmo não acontece quando se trata de criar e posicionar um negócio digital focado no mercado chinês. 

“O ‘know-how’ não está em Macau. Não é aqui que se encontram os serviços de ‘e-commerce’ e de engenharia de ‘software’ necessários, pela escassez e custo elevado”, refere Rizzolio.

Montar o site, ter os motores de busca que permitam encontrar a página, e dispor de métodos de pagamento que permitam a compra na China Continental dos serviços de uma empresa sediada em Macau foram alguns dos processos que conheceram obstáculos. “A parte da comunicação digital e de ‘social media’ é outro problema. Por exemplo, só agora é que se consegue abrir uma conta no WeChat (uma das aplicações mais populares na China) com uma empresa de Macau”, acrescenta Felício. 

As barreiras legais e tecnológicas que ainda existem em Macau obrigaram os empresários a recorrer a empresas de Hong Kong. “Já sabemos como funciona a China. Está tudo controlado na internet, e é muito burocrática. É assim, goste-se ou não. O mais estranho é que Macau ainda não esteja dentro desse ecossistema e continue a haver barreiras para entrar no mercado do Continente a partir daqui”, critica Hugo Felício. 

Apesar das limitações, Macau acabou por ser “fulcral” para a startup. Os empresários elogiam alguns apoios que o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) oferece às pequenas e médias empresas: meios de financiamento, acesso aos sete gabinetes de ligação da entidade na China continental, e espaços – como a incubadora na sede do IPIM que partilham com outros empresários e que lhes permite ter um escritório sem pagar renda durante um ano. 

Ainda assim, há aspectos que falham. Hugo Felício e Marco Rizzolio apontam falta do dinamismo necessário para que as iniciativas funcionem plenamente. “Não sabemos, por exemplo, quem são os outros empresários que estão aqui na incubadora”, diz Rizzolio, para quem o IPIM devia promover a comunicação e troca de experiências entre empresários.

Para Hugo Felício, o Governo tem de fazer “muito mais” para que se pense em Macau quando se quer investir na China continental. “As entidades, as pessoas e as ferramentas já existem, mas não há um pensamento coletivo e uma estratégia conjunta”, diz. 

C.B.S.

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