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Terminal das Portas do Cerco sem solução à vista

Ao fim de 13 anos de funcionamento, o Terminal das Portas do Cerco continua a gerar insatisfação. Aos problemas estruturais, juntam-se os danos provocados pelo recente tufão Hato, e novas obras de remodelação só deverão ficar concluídas no fim de 2019. Há quem defenda soluções alternativas de ventilação, e quem deixe críticas à organização dos transportes públicos.

O Terminal das Portas do Cerco, em funcionamento desde 2004, vai novamente ser sujeito a obras de remodelação, com o Governo a prever que estas não fiquem concluídas antes do final de 2019. Um prazo visto como demasiado longo, numa altura em que se encontra suspensa a paragem de autocarros do terminal – após estragos em equipamento electromecânico provocados pelo tufão Hato, a 23 de agosto – e se mantêm os problemas relacionados com a falta de ventilação no local. 

Addy Chan, engenheiro, afirma em declarações ao PLATAFORMA que os problemas do Terminal das Portas do Cerco não surgiram de um dia para o outro. Os recentes danos foram efetivamente mais severos do que os do tufão Hagupit, acredita, mas é preciso ainda averiguar se é possível ou não retomar imediatamente o funcionamento deste equipamento. Para o engenheiro, a paragem de autocarros tem dois problemas essenciais: o primeiro é a iluminação, o segundo é o sistema de controlo de incêndios. Apenas resolvendo estas duas questões, será possível retomar um funcionamento limitado no período de um a dois meses, estima. 

O Terminal das Portas do Cerco foi já antes alvo de várias obras de melhoramento, mas o ambiente quente e abafado que se faz sentir no local não foi particularmente melhorado. Desta vez, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, alertou os utilizadores para que não tenham expectativas muito elevadas, prevendo que mesmo dentro de dois anos a questão não estará totalmente solucionada. 

Que problemas afetam então a paragem de autocarros subterrânea mais utilizada em Macau? “A causa do ambiente quente e abafado do terminal é em primeiro lugar o calor dos motores dos numerosos autocarros, juntando-se ainda o efeito do sol sobre o teto que transfere o calor para o nível subterrâneo, e a fraca ventilação natural no local”, aponta Addy Chan Kuai Son.

Desde a entrada em funcionamento, o terminal foi já alvo de intervenção cinco vezes, tendo sido adicionados aparelhos de ar condicionado, exaustores e aberturas – sendo que as aberturas foram as mais eficazes, e o Governo deverá optar por continuar a adicioná-las. Addy Chan acredita também que o efeito das aberturas é positivo, mas não é suficiente. “Anteriormente tentou-se expelir o ar quente, e por isso foram continuadamente adicionados exaustores, mas sem sucesso. Podemos então mudar de abordagem, e tentar diluir o ar quente e abafado do terminal com ar fresco. Acredito que será a melhor forma de aliviar o problema”, defende o engenheiro.

Como é então possível diluir o ar quente e abafado? Para Addy Chan, depois de adicionadas mais aberturas, podem ser instaladas algumas ventoinhas de grande dimensão no teto do equipamento. A solução sugerida permitirá, em primeiro lugar,  refrescar os utilizadores. Em segundo lugar, uma vez que o corredor se situa perto das aberturas, também ajudará à circulação do ar e à ventilação da zona subterrânea, impedindo que o ar quente se concentre. “As ventoinhas industriais de grande dimensão são usadas por muitas fábricas na China continental, pois o seu efeito é bastante evidente, ajudando a reduzir a temperatura aparente”, diz.

Trânsito congestionado

Ron Lam, presidente da Associação da Sinergia de Macau e um recente candidato às eleições legislativas, deixa críticas do plano de reparação do Governo, questionando o porquê de não ser possível retomar temporariamente o funcionamento da paragem de autocarros. O Governo não ofereceu explicação, e Ron Lam afirma não compreender o porquê do prazo de dois anos para as obras. Mas o principal motivo de insatisfação, diz, é a falta de um plano global, não existindo medidas temporárias para resolver o problema da suspensão da paragem de autocarros. 

Para Ron Lam, mesmo que a paragem não possa ser retomada a curto prazo, deve ser considerada a utilização das atuais zonas de estacionamento dos autocarros dos casinos para o estabelecimento de algumas paragens temporárias, seguindo o princípio de prioridade para os transportes públicos.

“A conceção do Terminal das Portas do Cerco é intrinsecamente imperfeita, e os trabalhos extraordinários apenas servirão para atenuar essas características. Mesmo que as obras resultem eventualmente em melhorias, os problemas de trânsito no exterior da paragem continuarão sem solução”, afirma Ron Lam U Tou.

O dirigente da Associação de Sinergia de Macau lembra o futuro impacto da entrada em funcionamento da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e do novo ponto de atravessamento fronteiriço Qingmao. “O trânsito de toda a zona ficará cada vez mais congestionado. O Governo não deve focar-se apenas na paragem de autocarros, e deve nestes dois anos criar um plano global para melhorar a situação do trânsito. Isso, sim, é realmente importante”, alerta.

O diretor dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng, afirmou na passada semana ao canal de rádio de língua chinesa da TDM que o Governo concluiu já o plano de reordenamento urbano da zona das Portas do Cerco, que deverá ser publicado em breve. Segundo o responsável, o projeto iniciado em 2012 inclui novas soluções para paragens de transportes públicos e a libertação dos terrenos do Campo dos Operários e da sede da Unidade Táctica de Intervenção da Polícia, que será transferida para o Pac On.

Entretanto, nas Portas do Cerco, os turistas, tal como a população, continuam a enfrentar problemas diários de transporte. Natural de Guangdong, Huang, transmite ao PLATAFORMA o seu descontentamento. Depois de ter estudado os itinerários de transporte público de Macau, verificou após atravessar as Portas do Cerco que a paragem no local estava encerrada. “Agora é impossível encontrar uma nova paragem, só posso voltar para trás e apanhar um táxi. Mas as filas para os táxis são enormes, é uma grande chatice”, queixa-se. 

Kenneth Choi

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