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Turismo lusófono

Na semana passada, foi oficializada a criação do Centro Global para a Educação e Formação em Turismo, com base no Instituto de Formação Turística (IFT). Em declarações ao PLATAFORMA MACAU, o coordenador John AP acredita que o organismo deverá também contribuir para melhorar a imagem internacional de Macau.

Foi oficialmente criado o Centro Global para a Educação e Formação em Turismo com base no Instituto de Formação Turística e em cooperação com a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas (OMT). Segundo o coordenador John Ap, haverá duas ações de formação por ano, em colaboração com a OMT, mas estão a ser preparados programas  para os Estados de expressão lusófona, em cooperação com o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) e a Direção dos Serviços de Turismo (DST).

John Ap, coordenador do Centro Global para a Educação e Formação em Turismo, afirma ao PLATAFORMA MACAU que o Centro irá organizar dois programas de formação por ano, especificamente orientados para os Estados-membros da OMT, e que se deverão centrar em hotelaria e gestão hoteleira, além de abordarem tópicos ligados à gestão, como a liderança, inovação e redes sociais. “Estamos a tentar identificar as necessidades dos vários Estados, tem sido difícil, mas agora que tivemos formação envolvendo diferentes países, já somos capazes de identificá-las”, afirma.

Entre 14 e 23 de Novembro, decorreu a primeira ação de formação sob a égide do  Centro Global para a Educação e Formação em Turismo, e contou com representantes do Afeganistão, Butão, Irão, Papua Nova Guiné, Timor-Leste e a Coreia do Norte. “Tivemos 21 participantes no programa a tentar aperfeiçoar as suas competências, no que toca ao conhecimento do turismo e aos equívocos ligados ao turismo”, afirma. Algumas das apresentações centraram-se na iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, gestão do património ou gestão de atrações turísticas. “Foi uma ação mais abrangente, destinando-se a oito países, mostrando o que podemos oferecer de uma forma mais variada”, remata. Além das apresentações, houve também várias visitas aos monumentos inscritos na lista da UNESCO, à Doca dos Pescadores, à praia de Hac-Sá, além de alguns hotéis e restaurantes.

Antecedendo a criação do Centro, o IFT já havia recebido, entre 13 e 21 de Junho, um grupo de 20 guias turísticos Cambojanos e quatro funcionários da APSARA — autoridade Cambojana responsável pela gestão do parque arqueológico de Angkor Wat —, com vista a aumentar as suas competências no acolhimento de visitantes internacionais. Com o objetivo de aumentar as competências dos guias turísticas no acolhimento dos visitantes internacionais ao parque de Angkor Wat, o programa de formação incluiu seminários, formações práticas, além de visitas aos diferentes monumentos do território considerados Património da Humanidade pela UNESCO. Foi a primeira sessão de trabalhos conjuntos entre a Organização Mundial de Trabalho (OMT) e o Governo de Macau.

Outras atividades

O  Centro Global para a Educação e Formação em Turismo deverá ainda incluir outras atividades, como programas de formação direcionados aos países de língua portuguesa, em associação com o Fórum Macau e a DST.

Além disso, há outros planos ainda a ser discutidos, que passam pela oferta de programas de formação sobre parques temáticos, em colaboração com associações internacionais e de Hong Kong. “Queremos a ajudar a identificar as necessidades de formação — é preciso mais formação, em particular sob a perspetiva asiática”, refere.

O organismo deverá também acolher, periodicamente, representantes de diferentes países ou da China Continental, caso “tenham interesse em formação”. Ainda que esta seja apenas uma possibilidade, John Ap não exclui também a organização de potenciais programas de intercâmbio com alunos de Macau.

No que toca a Macau, o coordenador acredita que o território será beneficiado pelo início dos trabalhos. “Ao trazer representantes de outros países, proporciona oportunidades ao Fórum Macau e à DST de conhecerem esses representantes e interagirem, procurando identificar as melhores práticas e as piores, ajudando-se mutuamente”, defende.

Além disso, o Centro ajuda a “melhorar a imagem de Macau”, demonstrando que “é capaz de proporcionar formação ao mais alto nível”. Finalmente, o coordenador acredita que também ajude a “melhorar a imagem do IFT”, tornando-se mais atrativo para docentes de outros países.

O memorando de entendimento entre o Governo e a OMT foi assinado há um ano e na semana passada foi oficializada a criação do Centro Global para a Educação e Formação em Turismo, num despacho publicado em Boletim Oficial. Segundo a descrição, o Centro “visa, através da cooperação com a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas, elevar a qualidade dos recursos humanos na indústria turística e reforçar a capacidade de estabelecer políticas, legislações e mecanismos turísticos”. Cabe ao Centro garantir programas de educação e formação turísticas, incluindo a organização de visitas e estágios, mas também realizar estudos de investigação turística.

Na altura da assinatura do memorando de entendimento, que decorreu no 4º Fórum de Economia de Turismo Global, a presidente do IFT, Fanny Vong, dizia que a instituição que representa irá desempenhar “um papel chave” por ser a única envolvida no projeto. E realçou que a colaboração com a OMT deverá servir para reforçar a posição de Macau como destino turístico. Destacou ainda que ambas as partes vão trabalhar juntas na implementação de projetos em três grandes áreas, incluindo “os programas de educação e formação, levar adiante projetos de investigação conjuntos, e oferecendo oportunidades de estágio e colocação técnica”. Já o Chefe do Executivo, Chui Sai On, assinalou que o território tem de “combinar turismo e cultura para que isso possa trazer maior crescimento ao sector”.

Luciana Leitão

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