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Um tema mais prático

O 5.º Fórum de Economia de Turismo Global tem lugar a 15 e 16 de Outubro, no empreendimento Studio City, sob o tema “As Novas Formas de Consumo – Transformar a Indústria Turística”.

O tema é “menos institucional” do que em anos transatos, conforme admite ao PLATAFORMA a diretora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, estando mais orientado para questões práticas e de evolução do setor. No 5.º Fórum de Economia de Turismo Global, discutem-se pontos como o novo consumidor e o impacto das novas tecnologias no desenvolvimento da indústria.

O chefe do Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura (GSASC), Ip Peng Kin, referiu na conferência de imprensa de apresentação do programa do 5.º Fórum de Economia de Turismo Global, citado em comunicado oficial, que, “perante o actual ajustamento das receitas do jogo e as exigências do desenvolvimento diversificado da economia, um dos temas mais prementes é como desenvolver setores além-jogo, e como enriquecer os elementos não-jogo.” E acredita que do debate “em torno das mudanças na classe consumidora surja uma oportunidade de grande valor para a concretização futura deste objetivo”.

Por seu turno, a vice-presidente e secretária-geral do Fórum de Economia de Turismo Global, Pansy Ho, realçou que “o ecossistema de consumo transformou-se, passando do ‘antigo modelo económico’ gerado pela oferta para um ‘novo modelo económico’ orientado para o consumidor.” Assim, esta edição irá “explorar como esta nova classe consumidora está a influenciar a indústria turística mundial, e como os seus comportamentos de consumo e uso das novas tecnologias têm trazido mudanças sem precedentes para a indústria turística global.”

O programa

Entre os principais destaques do programa, conta-se a sessão, co-organizada pela OMT, no dia 16 de Outubro, co-organizada pela OMT, que se traduz num “Frente-a-Frente entre Ministros e Líderes do Setor Privado”, em que se debate o tema “Aproveitar as mais de Mil Milhões de Oportunidades”. 

O orador principal será o secretário-geral da OMT, Taleb Rifai, contando-ainda com vários representantes oficiais, incluindo o ministro do Turismo do Camboja, Thong Khon, o ministro dos Hotéis e Turismo do Mianmar, U Ohn Maung, e a ministra do Poder Popular para o Turismo da Venezuela, Marleny Josefina Contreras Hernández.

Além disso, no segundo dia do evento, os líderes da indústria turística ainda deverão trocar impressões em três sessões intituladas “Maximizando as Dualidades dos Consumidores Chineses”, “Abraçando a Diversificação dos Visitantes Chineses” e “Turismo e Tecnologia: O Inseparável Duo”. 

As várias sessões contam com diferentes parceiros e patrocinadores, incluindo o China Daily, a Associação de Turismo da Ásia Pacífico (PATA, na sigla inglesa), a Federação Mundial de Cidades de Turismo (WTCF, na sigla inglesa), o Bank of America Merrill Lynch e o BNP Paribas.

Nesta edição, a OMT e o Centro de Pesquisa de Economia de Turismo Global — liderado por Pansy Ho — apresentarão a terceira edição do Relatório Sobre as Tendências do Turismo na Ásia. “O relatório conterá capítulos especiais com análises de fundo e interpretações das tendências de turismo fomentadas pela crescente classe consumidora e pelo investimento no turismo — incluindo em infra-estruturas e recursos humanos —, e o impacto no desenvolvimento da indústria turística na Ásia”, lê-se, em comunicado oficial. 

O Fórum de Economia de Turismo Global tem sido organizado desde o início no território e deverá sê-lo até, pelo menos, à 6a edição, de acordo com o compromisso firmado no 3.º Fórum de Economia de Turismo Global. “Dada a sua localização imbatível enquanto porta de entrada para a China [Continental] aliada à sua posição de liderança no contexto da crescente economia de turismo da Ásia, Macau trata-se da escolha natural para ser anfitriã do 1.º Fórum de Economia de Turismo Global”, lê-se na página oficial do evento, a propósito da organização da iniciativa em Macau.

A edição deste ano conta com um orçamento de 45 milhões de patacas, dos quais 22 milhões são pagos pelo Governo e os restantes são suportados pelo Centro de Pesquisa de Economia de Turismo Global, além de outros patrocinadores. 

Macau como “facilitador”

O 5º Fórum de Economia de Turismo Global irá discutir o turismo enquanto forma de atrair visitantes, mas também enquanto motor da economia. Em vésperas do arranque do evento, a diretora dos Serviços de Turismo, afirma, em entrevista ao PLATAFORMA, que, ao longo das diferentes edições , Macau tem vindo a mostrar o papel que pode desempenhar de “facilitador” no turismo e na economia internacional. Helena de Senna Fernandes declara ainda que o Fórum de Economia de Turismo Global irá continuar a realizar-se no território, pelo menos até à sexta edição.

Qual é a importância do Fórum de Economia de Turismo Global para Macau?

Helena Fernandes- Nestes cinco anos, já tivemos um grande progresso. E, este ano, pela primeira vez, temos um Fórum que se refere, além do turismo como forma de atrair turistas, ao impacto que o turismo pode ter na economia e ao papel do turismo enquanto motor da economia. É também por isso que conseguimos congregar ministros e líderes da indústria turística internacional, que vêm para discutir alguns assuntos não só relacionados com Macau, mas também relacionados com o turismo internacional, e que podemos desempenhar um papel de liderança ou de facilitadores no turismo e na economia internacional.

É um evento que já dura há cinco anos e muito se tem especulado sobre o seu futuro. Vai continuar a ser organizado no território?

H.F-No que toca ao Governo, temos um compromisso de três anos [renovado na terceira edição]. Temos o compromisso de realizar a quarta, quinta e sexta edições. Depois vamos reavaliar, temos de fazer um balanço dos resultados e logo se vê se o Governo vai continuar.

Esperam-se mais visitantes do que no ano passado?

H.F-Este ano é a quinta edição. Há algumas coisas novas que estão a ser introduzidas — para já, é a primeira vez que vamos ter um país anfitrião. Nos anos anteriores, tivemos uma província dentro da China [Continental] ou um município em destaque. Este ano é a primeira vez que estamos a introduzir este conceito para um país também — desta vez, vai ser a França.

Há a hipótese de no futuro usarmos também este Fórum como plataforma para os chineses, mas também como plataforma internacional — também podemos desempenhar um papel para os diferentes países e a Grande China. Este tipo de tentativa pode elevar ao nível mundial a influência de Macau e pode, eventualmente, contribuir para mudar a perceção sobre Macau. Ainda agora, há muita gente que mantém aquela ideia de Macau como um centro de jogo, mas este tipo de eventos pode trazer uma outra ótica para Macau e também, internacionalmente, identificar Macau como um destino não só de jogo, mas também com uma influência importante em termos de turismo internacional.

Esta parceria com França deverá trazer visitantes desse país?

H.F-O que é importante é que Macau pode ter esta plataforma [o Fórum] para mostrar que não pensa só nos seus assuntos e pode desempenhar um papel de influência ou pode ter a oportunidade para debater assuntos internacionais. Este é para Macau um passo importante. É só assim que internacionalmente podemos ter o reconhecimento que Macau não é só jogo e não é só destino turístico simples. Também podemos influenciar as tendências, ao nível internacional.

O tema deste ano é As Novas Formas de Consumo – Transformar a Indústria Turística. O território está preparado para este novo consumidor?

H.F-O consumidor está sempre a evoluir. Se calhar, temos coisas suficientes para atraí-los agora. Para o futuro, como podemos manter a nossa competitividade? Este é um assunto que não só Macau mas todos os países têm de reconsiderar e têm de estar sempre a refletir.

Até ao ano passado, os temas eram talvez mais institucionais, [incidindo] sobre o conceito de colaboração regional — Uma Faixa, Uma Rota [2015]. Este ano, o tema é o consumidor e este tem grande enfoque para Macau e para os nossos parceiros; é uma boa forma de refletir como se pode trazer Macau para a próxima etapa. Para Macau é importante refletir quais são os consumidores e onde são os pólos de crescimento a que temos de estar  atentos.

Macau está preparada para essa nova tendência?

H.F-Sim. Para já, em termos de produtos turísticos, temos cada vez mais novos produtos a serem introduzidos no mercado. Claro que também há sempre, dado o tamanho de Macau, esta dificuldade de preparar grandes atrações novas. Por isso, temos de pensar ou fazer produtos que não são os mais tradicionais. Precisamos de ter mais flexibilidade para criar outro tipo de pólos de atração. Claro que com os hotéis estamos a tentar ter um grupo de novos produtos, mas, por outro lado, estamos também a tentar ver com a nossa cultura ou com aqueles produtos/festividades que já temos em Macau como é que podemos fazer uma maneira de reordenar ou agrupar estes elementos para serem mais atrativos.

Grande parte dos visitantes que vêm a Macau são da China Continental. Será fácil para Macau captar estes novos consumidores, mais individualistas, dadas as restrições de vistos individuais?

 H.F-O que estamos a observar é que, na evolução dos turistas, quando vão mais para fora, cada vez menos utilizam os pacotes turísticos. Ao ganhar mais experiência, não ficam satisfeitos com os itinerários dos pacotes.

Vai ser a tendência internacional — temos de trabalhar mais para atrair turistas individuais. Macau tem de ser cada vez mais conveniente em termos da procura de informação antes de viajar. Além disso, quando os visitantes chegam a Macau, também precisam de ter facilidade na obtenção de informações que ajudem a ter uma boa experiência de Macau. Daqui para a frente, temos de apostar mais nas novas tecnologias, temos de reordenar Macau de forma a que haja mais possibilidade de acesso a wi-fi. 

Este Fórum tem um orçamento superior em relação a anos anteriores. Quais são as grandes apostas desta edição?

H.F-É mais ou menos igual aos anos anteriores [da parte do Governo]. No ano passado, o investimento do Governo foi de 20 milhões de patacas, mas este ano o

investimento do Governo vai ser de 22 milhões. O resto tem de ser completado pelo nosso parceiro, o Centro de Pesquisa de Economia de Turismo Global — liderado por Pansy Ho — e através dos patrocinadores. Segundo a nossa experiência, sempre se consegue fazer o Fórum com grande participação em termos de ministros, mas também no setor privado. Pela lista de oradores e ministros que já temos, estamos no bom caminho.

Quais são os grandes destaques deste Fórum?

H.F-É a primeira vez que temos um município da China como parceiro. Por outro lado, o enfoque no consumidor é muito importante para a discussão do setor privado, mas também do setor público. É a primeira vez que damos grande ênfase ao consumidor. O Fórum está cada vez mais a debater assuntos que realmente têm grande interesse da parte dos operadores do setor. 

No final deste Fórum, haverá um relatório conjunto com a Organização Mundial do Turismo (OMT). Espera-se que daqui resultem medidas concretas no que toca a Macau?

H.F-Todos os anos publicam um relatório, e, normalmente, conseguimos utilizar muitas destas informações para formular os nossos planos para o futuro, e é uma boa referência. Tendo o tema dos consumidores, vamos poder em termos práticos utilizar muitas informações para os nossos planos para o futuro.

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A parceria França-Pequim-Macau

Entre as principais novidades deste 5.º Fórum de Economia de Turismo Global, contam-se a parceria com um país — França — e uma cidade — Pequim —, além da implementação de um programa de formação em cooperação com o Instituto de Formação Turística (IFT).

O 5.º Fórum de Economia de Turismo Global conta com um país — França — e uma cidade — Pequim — como parceiros. Trata-se de uma das grandes novidades desta edição, que tem lugar nos dias 15 e 16 de Outubro, no empreendimento Studio City. 

No âmbito desta recém-criada parceria, haverá uma sessão sob o tema “França: Arte e Cultura como Impulsionadores do Turismo”, que estará a cargo de individualidades como a diretora de projetos especiais do Museu do Louvre, Ina Giscard d’Estaing, e o presidente da Christie’s da região Ásia-Pacífico, François Curiel.

Além disso, enquanto decorre o Fórum, o Museu do Louvre, em França, irá organizar um jantar de gala para angariação de donativos, “demonstrando o reconhecimento da marca internacional estabelecida pelo GTEF [Fórum de Economia de Turismo Global, na sigla inglesa] ao longo dos últimos quatro anos, e da confiança na capacidade de Macau em organizar conferências e exposições de turismo internacionais”, conforme se lê em comunicado oficial. 

Por seu turno, Pequim organiza a “Exposição das Cidades e Províncias Parceiras do GTEF”, mostrando “o seu poder enquanto capital e um dos centros urbanos culturais e económicos do país, apresentando a história e património de três milénios do país e as características e preferências distintas dos consumidores chineses”, acrescenta a nota do Governo. 

As novidades

Nesta edição, o Fórum colabora, pela primeira vez, com o IFT, lançando um programa de formação intensivo de hospitalidade em convenções e exposições. Para o efeito, foram   selecionados 20 estudantes. “Durante o evento, os formandos desempenharão tarefas como receção de convidados VIP e como guias de apresentação de exposições, entre outras, em preparação para a sua futura carreira profissional”, lê-se. Aliás, em 2017, o Fórum “irá lançar uma série de programas de estágio, destinados aos estudantes do ensino superior de Macau interessados em dedicar-se ao setor das convenções e exposições de turismo, cujos detalhes serão divulgados posteriormente.”

Nesta edição, há ainda novos painéis de discussão, incluindo a “Sessão Especial para o 5.º Aniversário do GTEF – Energia que Impulsiona o Futuro Crescimento Económico da China”, cujo orador será o ex vice-ministro do Comércio, Long Yongtu. Outras novas sessões designam-se “Mesa Redonda de Líderes Juvenis – Compreender o Consumo e Participação Social dos Milénios”, “Revolução do Consumo de Turismo Urbano” e “Workshop de Investimento – Classe Consumidora Emergente: Investir numa Nova Era”. 

Além disso, para assinalar o quinto aniversário, o Fórum “oferece vagas de participação gratuita a estudantes do ensino superior e a operadores locais, providenciando oportunidades de intercâmbio entre os operadores turísticos com ministros do turismo e da economia, dirigentes governamentais de vários países e líderes de empresas globais de turismo e áreas relacionadas com o turismo, para impulsionar o estabelecimento de novas ligações, explorando a cooperação e inovação nos negócios.”

Da lista extensa de participantes de alto nível, destaque para a ausência de Portugal. Na conferência de imprensa de apresentação do 5.º Fórum de Economia de Turismo Global, a diretora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, afirmou aos jornalistas que “foi dirigido um convite ao ministério da Economia, que é quem tutela o Turismo, mas até ao momento não foi recebida qualquer confirmação”. 

Recorde-se que a 5ª. Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa terá lugar nos dias 11 e 12 de Outubro, e esta contará com uma delegação oficial de Portugal.

O passado

Nas edições passadas, o Fórum teve por temas “A interacção recíproca sobre o desenvolvimento turístico e económico”, “Revitalizar as Nossas Economias: Investir no Turismo”, “Rota da Seda Marítima – Partindo de Macau” e “Uma Faixa, Uma Rota – Desencadear a Nova Dinâmica do Turismo Cultural”. Na 4a edição, foi assinado um memorando de entendimento entre a Organização Mundial do Turismo (OMT) e a RAEM para o estabelecimento de um Centro Global para Educação e Formação em Turismo em Macau.

Desde a primeira edição, em 2012, o Fórum atraiu 55 países e regiões, a par de 54 províncias/cidades da China Continental, correspondendo a 5.100 participantes. Contabilizaram-se ainda mais de 200 oradores de topo, incluindo dignitários de nível ministerial, líderes empresariais e académicos.

A anfitriã do 5.º Fórum de Economia de Turismo Global é a secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura, contando com a co-organização da Câmara do Turismo da China. A coordenação cabe ao Centro de Pesquisa de Economia de Turismo Global e conta com a colaboração da OMT. 

O Fórum conta ainda com o apoio do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da RPC na RAEM, da Administração Nacional de Turismo da China, do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, da Associação de Turismo da Ásia Pacífico e da Direção dos Serviços de Turismo. 

Luciana Leitão

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