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Wushu por toda a cidade

A segunda edição do Encontro de Mestres de Wushu começou ontem e termina No domingo. Entre os destaques deste ano estão o Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau, a Competição Internacional de Taolu e o SJM 4º Campeonato Asiático das Danças de Dragão e de Leão.  

Contrariamente à edição do ano passado, que se concentrou no espaço exterior da Praça do Tap Seac, o Encontro de Mestres de Wushu 2017 vai estar espalhado pela cidade. As atividades do Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau vão ter lugar no Pavilhão Polidesportivo Tap Seac, enquanto o SJM 4o Campeonato Asiático das Danças de Dragão e de Leão decorre no Fórum de Macau e a Competição Internacional de Taolu acontece no Pavilhão do Estádio do Centro Desportivo Olímpico. No que toca a espaços exteriores, o Festival de Wushu de Verão acontece na Praça da Amizade e na Praça do Tap Seac, ao passo que o Campeonato dos Desafiadores de Sanda tem lugar na Praça do Tap Seac. 

O principal destaque do evento deste ano é a competição mundial Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau, homologada pela Federação Internacional de Luta de Kung Fu Chinês. “A competição em Macau será realizada em dez provas de diferentes categorias de peso, que incluem os atletas da China e de Macau a competirem com os atletas de alto nível da Tailândia, Turquemenistão, Sérvia, Filipinas, EUA, Rússia, Brasil, Irão e Bélgica”, lê-se numa nota de imprensa da organização. “E também há mais seis provas para os atletas competirem para o cinto dourado, com os favoritos locais Cai Liangchan — antigo campeão Mundial de Wushu Sanda — e João Ramos — especialista em kickboxing — a competirem com os atletas brasileiros e tailandeses.”

No caso do SJM 4o Campeonato Asiático das Danças de Dragão e de Leão, homologado pela Federação Asiática do desporto de Danças de Dragão e Leão, é considerado também “um momento de elevado nível na Ásia e internacionalmente, na modalidade de Danças de Dragão e Leão”, permitindo que o público possa “apreciar os atletas das Danças de Leão a fazerem saltos de alta dificuldade e emocionantes em postes, e os atletas das Danças de Dragão a realizarem danças luminosas.” 

As equipas deste campeonato vêm de Macau, China continental, Malásia, Indonésia, Filipinas, Singapura, Taipei, Tailândia e Hong Kong, e irão competir nas diferentes vertentes desta modalidade, como a Dança de Leão do Sul, Dança de Leão do Norte, Dança de Dragão e a Dança de Dragão Luminosa. As expetativas sobre os grupos locais são elevadas, já que “Macau obteve as medalhas de ouro em Dança de Dragão de Taolu e Dança de Leão do Sul de Alta Velocidade na última edição”. 

A organização distribuiu perto de três mil bilhetes gratuitos aos cidadãos e turistas para o Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau e para o espetáculo de encerramento. “A organização informa a todos os cidadãos e visitantes que conseguiram bilhetes de entrada dos eventos, que sigam as instruções da organização, nomeadamente, entrar antecipadamente nos recintos pelo facto de não existirem lugares marcados. Para além dos bilhetes distribuídos, a organização também irá distribuir no local, e antes do evento, um número limitado de bilhete para os residentes locais e turistas.” 

Todos os outros eventos dispensam bilhete. É o caso do SJM 4o Campeonato Asiático das Danças de Dragão e Leão no Pavilhão Polidesportivo Tap Seac, o Festival Wushu de Verão na Praça da Amizade e Praça do Tap Seac, o Campeonato dos Desafiadores de Sanda na Praça do Tap Seac e a Competição Internacional de Taolu no Pavilhão do Estádio do Centro Desportivo Olímpico.

No último dia do Encontro de Mestres de Wushu 2017, destaque para a Parada de Wushu e de Danças de Leão e Dragão, que tem lugar no dia 13 de agosto, às 17h. Inicia-se no Largo do Senado, passando pelas Ruínas de São Paulo e terminando na Praça do Tap Seac. 

Já o espetáculo de encerramento, que decorre no dia 13 de agosto, entre as 19h e as 20h40, “será uma apresentação que integra os elementos de wushu e a realização cultural diversa, através da combinação de efeitos modernizados no palco, músicas e danças e também demonstrações pelos mestres e equipas de wushu locais e do exterior”. 

O Encontro de Mestres de Wushu 2017 é organizado pelo Instituto do Desporto do Governo da RAEM e Associação Geral de Wushu de Macau, coorganizado pela Direcção dos Serviços de Turismo, Instituto Cultural e Fundo das Indústrias Culturais, com o apoio da Federação Internacional de Wushu, Federação Asiática de Wushu e Associação de Wushu da China. 

A organização irá ainda distribuir um número limitado de bilhetes, no local e antes dos eventos, para os residentes locais e turistas.  

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Segunda edição à procura de mais público

A edição deste ano do Encontro de Mestres de Wushu traz outro tipo de novidades, como uma aplicação móvel e um jogo virtual, de forma a captar a população mais jovem do território.

Este ano há várias novidades, diz a coordenadora do Encontro de Mestres de Wushu ao PLATAFORMA. E se o balanço da população em relação à edição passada foi, “no geral, positivo”, houve algumas críticas, que se espera que não se repitam este ano, diz Lei Si Leng.

Tratando-se este de “um projeto feito para as famílias, para pais e filhos que podem cá vir durante as férias grandes [escolares]”, o Encontro de Mestres de Wushu deste ano traz o Festival Wushu de Verão, “colorido e vivo”. 

Depois, há, como no ano passado, os diferentes campeonatos, mas que, desta vez, têm sobretudo lugar em recintos cobertos. “A maioria das competições, porque no ano passado caíram alguns atletas [devido às condições atmosféricas], vai ter lugar nos recintos cobertos”, diz. “Assim, não precisamos de nos preocupar tanto e também precisamos de garantir que os atletas podem fazer o melhor, sem terem de se preocupar com o clima”, acrescenta.

No local onde foi o evento do ano passado, a Praça do Tap Seac, continuará a haver iniciativas, como o Festival Wushu de Verão. “Haverá tendas para os miúdos brincarem um bocadinho — com lembranças como lápis e blocos de notas”, descreve. Ao mesmo tempo, irá trazer-se algo da cena cultural da cidade para este evento. “Temos associações e grupos locais artísticos a trazer umas coisas mais de conteúdo cultural — andarilhos e danças hip hop”, diz, referindo que têm sempre por tema o wushu. “Queremos fazer uma coisa mais alegre, em que os jovens podem participar — e, quando os jovens vêm, os pais seguem-nos”, refere. 

Uma grande novidade é a realização no território do Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau. “É uma das fases da tal competição que se desenvolve em várias etapas”, refere. “E a CCTV 5 vai gravar e mostrar depois”, acrescenta.

Como no ano passado, haverá novamente o SJM 4º Campeonato Asiático das Danças de Dragão e de Leão. “Vêm equipas de nove países e regiões — são as melhores equipas [do mundo]; é um nível muito alto”, afirma. “Há muitas pessoas que gostam, por exemplo, dos saltos em plataformas”. No total, espera-se que venham “mais de 250 atletas” só para este campeonato. 

“A Competição Internacional de Taolu, que decorre no Pavilhão do Estádio do Centro Desportivo Olímpico, também tem vários dias de provas”, refere. Oferece um misto de conteúdos culturais e desportivos.

Segundo Lei Si Leng, a edição deste ano do Encontro de Mestres de Wushu terá mais música e componentes culturais e recreativas. “Há muitos mestres que praticam wushu, mas fazem muitas coisas de forma criativa — e há o gesto técnico associado a muitos efeitos de palco, com imagens virtuais que jogam com as luzes e diferentes tipos de efeito”, descreve. 

Por outro lado, a parada no último dia, que no ano passado foi um dos momentos altos do programa, é menor nesta edição. A responsável pelo Encontro de Mestres de Wushu lembra que “a cerimónia de encerramento era feita na Praça do Tap Seac [no ano passado] e juntava-se tudo — no fim da parada, todos iam ao palco fazer uma demonstração”. Já este ano, “a cerimónia de encerramento é no recinto coberto” e a parada só tem lugar mais ao fim da tarde. “É agosto, Macau e este calor…”, justifica. “Agora, em vez de começar nas Ruínas de São Paulo, começa-se no Largo do Senado e depois vai-se para as Ruínas, poupando-se nas ruazinhas pequenas com imensa gente”, explica.

E, contrariamente ao ano passado, os atletas não participam todos ao mesmo tempo, desde o início. “Temos três pontos para demonstração e os atletas vão-se juntando [em cada um dos pontos] e vão andando”, diz, acrescentando: “No total, haverá por volta de 300 atletas na parada, só locais”.

No geral, olhando para o Encontro de Mestres de Wushu, Lei Si Leng refere que o programa do ano passado era mais ambicioso e, por isso, era difícil à população conhecê-lo em detalhe. “Tínhamos muitas coisas, muitos pontos, muitas coisas a acontecer, mas muitas pessoas diziam que não sabiam onde nem quando”, diz. “Temos também muitos mestres, mas limitámos o número [em relação ao ano passado]”, acrescenta. 

Mais lugares disponíveis e recintos cobertos 

Depois de um inquérito realizado à população, a organização do Encontro de Mestres de Wushu resolveu reequacionar alguns pontos, mais criticados. Um deles passava pela reserva de bilhetes antecipadamente. “Só há bilhetes para o espetáculo Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau e para o espetáculo de encerramento, enquanto nos restantes pode entrar-se à vontade”, diz. 

No ano passado, “houve pessoas que disseram não ter bilhetes para ir, enquanto outras tinham bilhetes e não foram”. Este ano, tal como na edição passada, a organização “reserva alguns bilhetes no próprio dia e, quando vê que as bancadas não estão ocupadas, deixa os outros entrar”. Claro que, diz Lei Si Leng, há um fenómeno muito típico do território, que acaba por tornar difícil a atribuição de bilhetes. “Normalmente, ficam com bilhetes e não garantem a presença e, mesmo que vão, entram depois de acabar e saem antes de terminar”, refere. Mesmo assim, a organização já atribuiu três mil bilhetes para serem usados no Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau e no espetáculo de encerramento. 

Foi também em função das críticas que surgiram no decurso do inquérito que a organização optou por manter a maior parte dos campeonatos em recintos cobertos. “No ano passado, houve chuva”, dando azo a reclamações. 

Tratando-se o ano passado da primeira edição do Encontro de Mestres de Wushu, Lei Si Leng garante que é normal que as pessoas ainda desconhecessem o evento. “Era a primeira vez. Se vamos falar do Grande Prémio, a maior parte da população já conhece, sabe como e onde vai ser. Mas, neste caso, são vários dias e as pessoas não sabem”, refere. 

Depois, a localização escolhida para a edição anterior acabou por ser também criticada, mas sobretudo por ser ao ar livre. “A ideia de pôr todas as competições na Praça do Tap Seac era porque queríamos atrair as pessoas que passavam lá fora”, diz. “Achámos que se puséssemos tudo num recinto coberto, ninguém saberia o que se passava lá.” Porém, a chuva gerou vários problemas. 

Este ano, com as mudanças introduzidas, Lei Si Leng espera que haja mais pessoas a participarem no Encontro de Mestres de Wushu, mesmo que o mês escolhido seja o mesmo do ano passado, por uma questão organizacional. Como se pretende que o evento decorra nos meses das férias grandes escolares, as opções são limitadas. “A ideia é ser num mês em que não temos outros eventos”, refere, esclarecendo que em junho há já as Regatas Internacionais de Barcos-Dragão, enquanto em julho decorre o Grande Prémio Mundial de Voleibol da FIVB. “É suposto ser durante as férias grandes, e atrair os turistas que vêm com as crianças”, diz, acrescentando: “Além disso, temos de combinar com o Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau.”

Sobre a expetativa em relação ao número de participantes no evento deste ano, Lei Si Leng diz que esperam locais e turistas. É, porém, difícil perceber, pelos números do ano passado, a percentagem de participantes locais e turistas. “Vai levar anos para criar uma base de pessoas que sabem que existe este evento, em julho ou agosto, em Macau.” 

No ano passado, houve uma média de 15 mil espetadores por dia, com a contagem a ser feita através dos bilhetes e dos passes VIP. 

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