David Chan_GLP_03

Encontro com Xi durante a Cimeira do G20

líder chinês Xi Jinping e o presidente americano Donald Trump têm um encontro marcado durante a Cimeira do G20 em Buenos Aires, Argentina. No contexto da atual guerra comercial entre os dois países, toda a comunidade internacional está focada nesta reunião, esperando que os dois lados cheguem a um acordo para pôr fim a este conflito.

A posição chinesa sobre a resolução desta guerra comercial é muito clara. A americana, por outro lado, não. Os EUA, além de exercerem pressão constante sobre a China a nível comercial, têm também procurado criar conflitos em outras áreas após o início desta guerra, mas a sua estratégia base não tem sofrido grandes mudanças. Ela inclui, por exemplo, exercer pressão sobre o adversário antes de alguma discussão ou reunião entre os dois lados, de forma a que sejam obtidos maiores benefícios durante as negociações. Por isso, devido à importância deste encontro, a comunidade internacional irá segui-lo mais atentamente do que a Cimeira do G20. Todavia, desta vez quem fez pressão sobre a China em preparação para esta reunião foi o vice-presidente americano, Mike Pence. No passado dia 13 de novembro, o mesmo partilhou com o Washington Post que os EUA estavam dispostos a chegar a um acordo com a China durante a Cimeira do G20, salientando, no entanto, que o lado chinês terá de fazer grandes alterações nas suas atividades económicas, militares e políticas, algumas concessões em assuntos relevantes ao lado americano, e respeitar as normas e regras internacionais. 

Com a última parte da sua declaração, Pence assumiu uma posição mais severa do que Donald Trump nas suas declarações seguintes. Ainda assim, o vice-presidente americano apenas voltou a transmitir as mesmas táticas de negociação já conhecidas pela China. Por isso, em resposta, Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, expressou a sua confusão. Uma vez que várias vozes do lado americano têm expressado ideias diferentes, não existe forma de saber se Pense fala em lugar de todo o governo americano, ou se está apenas a expressar a sua opinião. A porta-voz continuou: “As relações sino-americanas estão a atravessar um momento extremamente importante. Ambos os lados necessitam de tomar decisões e fazer esforços para garantir um desenvolvimento saudável dos laços entre os dois países. Só assim se irá ao encontro dos interesses das duas populações e do resto do mundo, satisfazendo também a esperança da comunidade internacional.” Hua acrescentou: “A China respeita a soberania, segurança e interesse de desenvolvimento dos Estados Unidos. Da mesma forma, os EUA devem também respeitar a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento chineses, assim como os seus ideias nacionais que definem o caminho a seguir. Tal como o líder chinês mencionou durante o seu discurso na cerimónia de abertura da Exposição Internacional de Importações da China (CIIE) este mês, mesmo após 5 mil anos de dificuldades e contratempos o país continua a resistir, e irá continuar a marcar a sua presença olhando para o futuro. A posição do país em relação aos problemas económicos e comerciais é clara e concreta, acreditando que uma cooperação económica e comercial entre os dois países é mutuamente benéfica. Negociações e encontros com base no respeito e benefícios mútuos são a única forma de resolver os atuais problemas.” A porta-voz chinesa salientou também: “No que diz respeito a este assunto, a China não deve nem teme ninguém.” A própria afirmou ainda que ambos os líderes falaram recentemente por telefone, e, durante a conversa, ambos expressaram vontade para um desenvolvimento saudável da sua relação e uma expansão da cooperação económica e comercial sino-americana. É esperado que após este consenso seja definido um plano de cooperação, através de negociações sérias e sinceras com base na igualdade, respeito e benefício mútuos. É desejado também que seja encontrada uma solução aceite por ambos, que garanta o desenvolvimento da relação entre os dois países e a expansão da cooperação económica e comercial. Em relação ao cumprimento de normas internacionais pela China, a porta-voz afirmou que o país tem sido um aluno exemplar. Esta guerra comercial não foi iniciada pela China, e embora o país esteja disposto a fazer algumas concessões para resolver os atuais conflitos, está em causa o direito de um país ao desenvolvimento, e por isso os EUA não conseguirão levar a sua avante, facilmente. Talvez esta guerra veja um fim com este próximo encontro.  

David Chan 30.11.2018

Artigos relacionados

 
 

“Há uma nova Lusofonia, onde não se fala só português e o chinês vai fazer parte”

O Festival This Is My City chega ao fim de mais uma edição no domingo, com a estreia em São Paulo, Brasil. O fundador Manuel Correia da Silva diz que o evento prova que Macau pode ser a ligação entre a China e os países de língua portuguesa. A Lusofonia já está a mudar, defende.

A reunião que mudou a história

Há 40 anos uma reunião do Partido Comunista da China marcou o início do processo de abertura e reformas económicas. Deng Xiaoping escrevia a primeira página de uma História marcada por profundas transformações dentro e fora de portas.  Naquele  início de dezembro de 1978, Deng Xiaoping estava finalmente em condições para começar a moldar o

“Não fazia falta na Universidade de Macau”

Quatro anos depois, Inocência Mata está de volta à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Do período passado no território, a professora leva a riqueza da experiência humana e cultural, bem como a decepção de ter sido “subaproveitada” na Universidade de Macau. “Estava à espera de encontrar um outro tipo de academia”, admite. Inocência

País em impasse político

As eleições legislativas foram adiadas ‘sine die’ e ninguém se compromete com uma data. A tensão política regressou ao país. Desta vez, por alegadas irregularidades no processo eleitoral. Depois de mais de três anos de uma grave crise política, os principais atores políticos guineenses chegaram em abril a um acordo sobre um nome para ser

China e Portugal, uma relação que vem de longe

O reforço do papel de Macau no relacionamento entre a China e Portugal e como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, assim como a assinatura de um memorando de entendimento que formaliza a adesão de Lisboa à iniciativa de Pequim “Uma Faixa, Uma Rota” são dois dos marcos da visita de

“Desvinculei-me de mim”

“Sétimo Sentido” marca uma nova fase na carreira do escritor e professor de comunicação José Manuel Simões. O ex-jornalista e diretor do Departamento de Comunicação da Universidade de São José publica a sua terceira obra de ficção, tendo como referência uma viagem que fez à Índia e a voz de uma personagem feminina, a médica