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Fórum Boao e militares no Mar do Sul da China

No dia 22 de março, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou o memorando sobre a investigação da secção 301, dando início a uma guerra comercial. No dia 23 do mesmo mês, o contratorpedeiro norte-americano USS Mustin deu entrada no Mar do Sul da China, navegando a 12 milhas náuticas do recife Mischief, com a intenção de pressionar a China a nível comercial e militar. Infelizmente, a China, depois de os EUA terem publicado uma lista de produtos de fabrico chinês, no valor de 50 mil milhões de dólares, abrangidos pela nova tarifa, decidiu responder na mesma moeda, ao contrário de países como o Canadá e a Coreia do Sul que pediram isenção. De seguida, a China enviou também dois contratorpedeiros para o Mar do Sul da China, de forma a afastar o USS Mustin e demonstrar que é capaz de lidar com a opressão americana em duas frentes.

Em resposta aos Estados Unidos, esta semana o presidente Xi Jinping, deu um discurso durante a abertura do Fórum de Boao para a Ásia. Este fórum tem vindo a crescer, exponencialmente na última década, tendo-se já tornado numa janela internacional importantíssima para uma melhor compreensão da estratégia de desenvolvimento chinesa. A edição deste ano é o primeiro grande evento diplomático a ser realizado na China depois do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China e das “Duas Sessões”. Esta presença de Xi Jinping, assim como o seu discurso, mostram a opinião chinesa em relação ao estado do comércio internacional, incluindo a atual guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos e os problemas de segurança interna.

Durante o decorrer do fórum, a força militar marítima chinesa fez também vários exercícios militares no Mar do Sul da China, zona vizinha do local onde aconteceu o evento. Este exercício de combate foi de uma escala gigantesca, envolvendo 40 grandes navios, incluindo o porta-aviões Liaoning, marcando a sua estreia em exercícios militares. Embora este exercício tenha sido um “pequeno” aquecimento para o cortejo naval de dia 23 de abril, aconteceu, exatamente numa altura em que os Estados Unidos têm três grandes porta-aviões na região Ásia-Pacífico (USS Theodore Roosevelt no Oceano Índico, USS Carl Vinson no Vietnam e USS Ronald Reagan no Japão). Podemos então concluir que este cortejo tem a finalidade de mostrar ao resto do mundo a presença chinesa no Mar do Sul da China, tendo a presença do porta-aviões Liaoning também provado que este é já capaz de integrar uma frota de combate.

A China e os Estados Unidos continuarão o seu conflito devido a problemas como o futuro do comércio e os exercícios militares no Mar do Sul da China. Os Estados Unidos irão certamente continuar a pressionar e testar o Exército Popular de Libertação da China, ao mesmo tempo que mantêm uma postura de confronto a nível comercial. No entanto, a posição chinesa é inflexível, e por isso estes dois pontos de fricção entre a China e os Estados Unidos com certeza não irão acalmar num futuro próximo.

DAVID Chan  13.04.2018

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