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Modernizações

Assinalam-se este mês os 40 anos sobre a reunião do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) que deu o pontapé de saída às reformas e abertura preconizadas e lideradas por Deng Xiaoping. O caráter transformacional deste processo quer interna quer externamente não deve ser subestimado. O que assistimos ao longo destas quatro décadas foi um processo inédito de modernização, crescimento e desenvolvimento que resultou na retirada da pobreza de cerca de 800 milhões de pessoas e entrada da China na economia-mundo. Para Macau, este processo abriu a porta a uma solução pragmática e com resultados positivos de retrocessão da administração e implementação do princípio Um País Dois Sistemas, tendo o Governo Central desempenhado um papel essencial na prosperidade da Região Administrativa Especial (RAEM).

O que Deng lançou, estando centrado na transformação económica, também teve um cariz de abertura ao exterior no sentido amplo, incluindo a “libertação do pensamento” numa perspetiva pragmática e experimental, mantendo o PCC o papel liderante. À primeira vaga que teve lugar há 40 anos, sucedeu uma segunda também sob a liderança de Deng quando este visitou o Sul e relançou as reformas em 1992 após um par de anos de isolamento resultante da repressão de Tiananmen em 1989. 

Há pouco mais de uma década, Hu Jintao ensaiava uma forma mais modesta da mesma máxima, com uma terceira vaga de pensamento inovador, que acabou por ser protagonizada sobretudo por líderes provinciais como o então secretário do PCC na vizinha província de Guangdong, Wang Yang, atual presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Wang fazia um apelo a um novo pensamento que trouxesse inovações ao sistema e às instituições através de uma aprendizagem das melhores práticas dos países e regiões desenvolvidas, sublinhando que, nesta lógica experimental, são admissíveis erros. 

Dez anos volvidos, nesta Nova Era, sopram ventos noutra direção. Internamente, o escopo de experimentação e de liberdade de pensamento foi afunilado, apesar de externamente a tónica continuar a ser de integração da China no processo de globalização, agora com um papel liderante. 

Deng Xiaoping proclamou nesse dezembro de 1978 as Quatro Modernizações como pontos cardeais do novo período: agricultura, indústria, defesa nacional, e ciência e tecnologia. Os progressos em todos estes campos têm sido extraordinários. Agora que o foco é no projeto “Made-in-China 2025” – que visa elevar a China na cadeia de valor de forma a ter um papel liderante ao nível das novas tecnologias – por cumprir continua a Quinta Modernização afixada por cidadãos a 5 de dezembro de 1978 nas paredes da Rua Xidan, em Pequim. A Democracia.  

José Carlos Matias 07.12.2018

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