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Negociações entre China e EUA chegam ao fim sem qualquer sucesso

Uma semana depois, a península coreana volta a ser o centro da atenção do mundo. No dia 27 de abril, os líderes das duas nações coreanas, Kim Jong-un e Moon Jae-in, tiveram um encontro histórico em Panmunjeom, na Linha de Demarcação Militar entre os dois países. Foi durante esta visita que foi assinada uma declaração conjunta, onde ambos os líderes se comprometeram a cessar de imediato todas as atividades hostis. Depois do assinar da declaração, no primeiro dia deste mês, ambos os países desligaram oficialmente as colunas que tinham nas fronteiras a emitir música e mensagens políticas. 

Segundo a declaração, ambos os países irão trabalhar em conjunto para assinar um acordo de paz ainda este ano, que irá por um ponto final na guerra coreana. As duas nações irão depois trabalhar no sentido de uma coexistência pacífica. Também serão feitos esforços para a realização de diálogos trilaterais (entre Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos) ou quadrilaterais (entre Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos e China), com o objetivo final de total desnuclearização. 

O anunciar deste acordo, depois da reunião entre os dois líderes, recebeu. Na sexta-feira e sábado passados, decorreram em Pequim negociações entre a China e os Estados Unidos, onde foram discutidos os conflitos comerciais existentes. Antes das negociações, os EUA fizeram o seguinte comunicado: Caso a China não aceite as condições propostas pelos EUA, não haverá próximas negociações. Esta mensagem representa o método que o país usa, habitualmente. Mesmo antes de discutir com a outra parte, recorre a ameaças e intimidação como forma de negociação. Porém, depois de dois dias de conversações, nenhum dos lados revelou quais os resultados das mesas, tendo os representantes americanos seguido, imediatamente, para o aeroporto. Estes não ficaram para fazer qualquer comunicado, ou para a possibilidade de um encontro com o presidente Xi Jinping, e, simplesmente, regressaram para os Estados Unidos. A partir desta reação, é possível concluir que as negociações não tiveram qualquer sucesso, Resumindo, as negociações não correram bem. As tensões têm vindo a subir entre as duas nações, e por isso os EUA decidiram enviar uma delegação forte. Todavia, o lado chinês protege as suas convicções, e não cede à força protecionista e unilateral americana. 

Depois da delegação americana ter partido para a China, o presidente Donald Trump acrescentou ainda duas exigências. A primeira: reduzir o défice comercial dos EUA com a China em 100 mil milhões de dólares. Em segundo lugar, a proibição de investimento chinês em indústrias tecnológicas como inteligência artificial e carros elétricos. No entanto, a China já demonstrou clara oposição a tais exigências, e por isso salientou que não irá negociar com os EUA para a redução do défice comercial até os mesmos largarem este género de ameaças. É, simplesmente, impossível a China desistir de todos os seus investimentos planeados e continuar o seu projeto “Made in China 2025”. A China já demonstrou a clara intenção de excluir estas duas medidas das negociações. Com base no que foi noticiado pela agência Xinhua, a afirmação de que não houve consenso em assuntos mais relevantes significa pelo menos duas coisas. Primeiro, que os EUA não conseguiram fazer pressão sobre a China. Esta não cedeu e manteve os seus princípios. Segundo, que a delegação americana manteve uma postura forte, não fazendo nenhum compromisso, mas a China resistiu a esta pressão, e por isso não precisará de se preocupar com a próxima ameaça americana. 

Mesmo sem qualquer resultado, poderá isto voltar a repetir-se? Não sabemos. A atitude chinesa é: Negociações? Estamos de braços abertos. Guerra comercial? Iremos lutar até ao fim. 

DAVID Chan  11.05.2018

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