Editorial-paulo

Plug-in to the future

A Europa muda o drive: a indústria automóvel aposta nos híbridos e ganham terreno os carros elétricos, com design futurista, sensação desportiva e um discurso imbatível de sustentabilidade. As motorizadas ainda são raras, mas vão vingando as bicicletas elétricas. Mais radical é o “overboard”, que pode dar ao conceito de andar a pé um sentido completamente novo. Quando for leve e versátil, será um must na conjugação com o transporte público. A roda gira depressa e os mercados querem atitude. Ainda é cara, mas a mobilidade elétrica é um dos faróis da modernidade. 

A indústria automóvel, mesmo comprometida com o petróleo, anuncia o futuro na gama de luxo. A Jaguar lança este ano o “verdadeiro desportivo”, 100 por cento elétrico, desafiando a Tesla e a BMW; a Mercedes pulveriza o mercado das empresas com uma versão plug-in + híbrido: elétrico enquanto pode, híbrido quando se esgota a autonomia elétrica. O ponto que interessa não é o das marcas, o das isenções fiscais ou o dos rankings de vendas. O que importa aqui reter é que a migração começou; anuncia-se a alta velocidade. A Alemanha assumiu o compromisso: 100 por cento de carros elétricos daqui a 20 anos. Incontornável.

Macau ainda pensa ao contrário. O pensamento não se move, porque não há o hábito de olhar mais longe. Leva mais ou menos tempo, mas o que tem de ser será. E quem mais tarde lá chegar, menos ganha com isso. 

Por outro lado, há um negócio real e lucrativo na migração; muitas vezes mal percebido. Migrar significa trocar, substituir, comprar e vender… E a proliferação de novos negócios em torno das tecnologias de ponta, cada vez mais associadas ao ambiente, é o motor mais forte da nova economia. Estar na frente; investir nisso; educar para isso; trabalhar a esse nível de exigência e de competitividade, é a essência da energia diversificação. Macau não sabe mudar. Mas ainda pode aprender.  

Paulo Rego

Artigos relacionados

 
 

“Há uma geração que irá sempre olhar para a China por causa de Macau, e agora outra que olha para a China onde também está Macau”

O tempo e o pragmatismo das relações luso-chinesas, 18 anos após a entrega de Macau, deixam Lisboa mais indiferente à evolução sociopolítica de Macau. Raquel Vaz-Pinto vê o distanciamento como inevitável, numa altura em que, por outro lado, a China está cada vez mais presente em Portugal. A politóloga, especialista em política externa chinesa, admite que

“É inútil ter medo”

Se perder o lugar de deputado depois de ir a tribunal, Sulu Sou promete não desistir da política. A Associação Novo Macau ainda não sabe o que vai fazer caso o ativista seja obrigado a abandonar a assembleia. O julgamento está marcado para dia 9 de janeiro. Foi eleito deputado dia 17 de setembro. Quase

Bruxelas exige “compromisso de alto nível” para tirar Macau da lista negra

A revisão da decisão tomada a 5 de dezembro pode ser feita a qualquer altura, indica responsável da UE. Sanções por falta de cooperação fiscal excluem Macau de projetos em África que tenham financiamento do bloco.  Macau poderá ser retirada a qualquer altura da lista da União Europeia de jurisdições não-cooperantes em matéria fiscal. Para tal,

Novo nome e nova rota para os 18 anos da RAEM

O “Desfile Internacional de Macau”, integrado nas comemorações do 18º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, vai sair à rua no domingo, dia 17 de dezembro, com uma nova rota, a previsão de mais público e um orçamento de 16 milhões de patacas.  De acordo com Leung Hio Ming, presidente do Instituto Cultural

Uma China à conquista do mundo

Uma malha ferroviária até à Europa, gasodutos desde o Turquemenistão e Birmânia ou novos portos em Moçambique e Geórgia anunciam uma “nova era”, na qual a China Continental ocupará o “centro” da futura ordem mundial. “É uma mudança histórica na posição da China no mundo”, explica He Yafei, antigo vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, durante

Eletricidade, um bem de luxo

Num momento em que as autoridades guineenses apostam no desenvolvimento de setores como o turismo e a agricultura para fomentar o crescimento económico do país, a Guiné-Bissau não pode, nem deve descurar a eletrificação do seu território, que ainda é incipiente. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), disponibilizados no último relatório da Conferência