Editorial-paulo

Portugal está na moda

Depois do futebol, Salvador Sobral – anti-herói celebrado no Festival da Eurovisão – prova que a qualidade pode ter sucesso internacional. Mas demonstra também que o rebranding das velhas marcas portuguesas conquista as massas e o reconhecimento mundial. A operação montada pela televisão portuguesa é um caso de estudo mundial. Outros se seguirão. Os dados macroeconómicos, esses, são ainda mais surpreendentes. Depois da explosão do turismo, os setores primário e secundário exportam como nunca. E o crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre (2,8 por cento) é pela primeira vez o maior da zona euro.

A direita europeia nem quer acreditar que a governação dita de esquerda produz estes resultados. Claro que há méritos do Governo anterior, como os há na reconversão das empresas e nos hábitos da população. Mas não vale a pena negar a realidade: o modelo económico e social português em curso prova que a austeridade terá sido eventualmente necessária, mas esgotou o seu ciclo. A alternativa é clara, funcional e tem sucesso. Portugal está hoje para a Europa como a China está para o resto do mundo: quebram tabus políticos e desmentem teses económicas conservadoras. São muito bem-vindas os bons exemplos alternativos.

Países investidores, como a China, olham certamente para Portugal com maior ambição. Porque há estabilidade política, massa crítica, modernização dos modelos de gestão e uma credibilidade internacional muito superior à que lhe é dada pelas agências de rating, presas a preconceitos que os números desmentem.

Macau, terra talhada para fazer a ponte entre a internacionalização chinesa e os mercados de língua portuguesa deve desenvolver a sua base relacional e apostar em Portugal como base operacional para o mundo lusófono. Há muito a fazer em Macau, nomeadamente nos campos da diversificação económica e da integração regional. Mas do ponto de vista da plataforma lusófona, Portugal é de longe o país onde hoje faz mais sentido assentar projetos com ambição internacional.

Paulo Rego

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