Paulorego

Pragmatismo e bom senso

Marcelo Rebelo de Sousa, mestre dos afetos, arrancou a Xi Jinping o sorriso que vale investimento estratégico. António Costa, pragmático, selou os acordos que abraçam o capital chinês, esse enorme balão de oxigénio. Ainda assim, nota-se a narrativa do “perigo amarelo”. Aqui e ali nos jornais, na tese da direita conservadora, na agenda americana… Trump até gosta do dinheiro chinês – poupa Washington a esse esforço – mas não da sua influência. A guerra comercial, meramente instrumental, esconde uma luta mais séria e feroz. 

A reapolitik ocidental é cínica quanto baste; a cultura política sínica, feita de sombras, engana muita gente durante muito tempo. Ainda assim, vê-se: Portugal é amigo. Mesmo! Porque ambos querem; conhecem o caminho; e Macau aduba a relação. A plataforma sino-lusófona dá frutos e vai crescer. É saudável a dúvida, sobretudo metódica – e não venal – mas não vale a pena esconder o óbvio. 

Dois erros podem minar o caminho: uns quererem o dinheiro, sem pagar o preço; outros pensarem que pagam e são aceites… A confiança, o compromisso, a visão, o bom senso… têm muito caminho a fazer. Macau sabe ajudar. E vai fazê-lo. Há muito quem não queira… mesmo no seio de nós há quem prefira minar o terreno. Mas o mundo mudou e a energia da plataforma é maior do que isso. Já é maior do que nós.

Lembro-me da China ser pressionada com os direitos sociais e políticos. Ao tempo que isso lá vai… Lembro-me da China abrir a economia e bloquear. Outra ilusão… Essa ainda em curso. Xi sorri, sente em Lisboa a zona de conforto. É bom para a China; ótimo para Portugal; um verdadeiro desígnio em Macau… Não a bajular uns e outros, mas sim a mediar e fazer pontes. O jogo é duro e complexo, mas vai correr bem. Se fosse fácil, outros o fariam. 

PAULO REGO 07.12.2018

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