Leonídio Paulo Ferreira

São 1200 milhões e nossos vizinhos

Costumamos olhar muito para os números para tentar perceber África, seja os 300 mil anos atrás em que por lá apareceram os primeiros homens, seja os 1200 milhões de pessoas que vivem hoje no continente. Mas mais do que nos números – mesmo que positivos como o aumento das democracias e a diminuição dos golpes militares – deveríamos sim prestar atenção à diversidade, pois se há uma África há também muitas Áfricas, mais de 50 países.

Sim, existem inúmeras Áfricas, como aquela que fala árabe e ocupa o norte do continente, ou aquela que se orgulha de nunca ter sido verdadeiramente colonizada, caso da Etiópia, ou aquela em que os mundos europeu e africano se misturaram mesmo, e falo de Cabo Verde, ou aquela do golfo da Guiné, tão sangrada pelo tráfico negreiro, ou aquela dos Grandes Lagos, de paisagens tão belas como terrível tem sido a sua história recente, ou ainda aquela onde, findo o apartheid e inspirados no exemplo de Nelson Mandela, se tenta construir uma nação arco-íris. Uma África de desertos e de florestas, de praias e de picos nevados, de pirâmides e de palhotas, de riquezas imensas mas também de uma pobreza persistente.

Compreender é essencial para conseguir ajudar. Sim, porque África, apesar de alguns casos de sucesso, continua incapaz de responder à pressão demográfica, como testemunham as vagas de gente que arrisca a vida a atravessar o Mediterrâneo em busca do eldorado. E nós portugueses, seja porque partilhamos genes com os magrebinos, seja porque desde as Descobertas o sangue negro se misturou com o ibérico, seja até porque lá nascemos, vivemos ou combatemos (ou somos filhos deles), nunca poderemos ficar indiferentes ao destino de África. É nossa vizinha. 

Leonídio Paulo Ferreira  11.05.2018

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