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Um pequeno tributo à diáspora

A dispersão de um povo pelo Mundo diz muito sobre a sua matriz identitária. A diáspora portuguesa é uma marca civilizacional indelével em toda a nossa história, como povo e como país. Desde o momento que Henrique, o Navegador, infante nascido no Porto e que fez escola em Sagres, desenvolveu uma das primeiras estratégias de globalização que é conhecida na história. Fazer dezenas de horas de voo para destinos longínquos situados nos continentes americano, africano ou asiático, chegar, sair e ouvir falar a língua de Camões deixa sempre em cada um de nós um sentimento único de referência à nossa origem.

Na história mais recente, a emigração para o Brasil durante o século XIX e primeira metade do século XX, que incluiu também um grande fluxo para os Estados Unidos e Venezuela, seguida de uma fase nas décadas de 60, 70 e 80 para França, Alemanha e Suíça, dizem também muito da nossa forma de encarar as adversidades. Perante as dificuldades saímos para onde for preciso. Seja de forma massiva dos Açores após uma catástrofe natural, ou arriscando a própria segurança pessoal, como aconteceu durante os anos da ditadura, em que milhares de portugueses atravessaram clandestinamente as fronteiras para trabalhar em países cuja língua nem sequer entendiam.

A forma como nos afirmamos, como somos respeitados e nos fazemos respeitar é também motivo de orgulho. Mas é sobretudo a ligação à origem portuguesa, que nunca se perde e se passa de geração em geração, que nos deixa a todos gratos para com os que mantêm viva a nossa memória por todo o globo. Durante os anos que estive em França mantive algum contacto com grupos de portugueses, pelo que posso ser testemunha do que acabo de afirmar. Vemos bem a forma como os emigrantes reagem à presença dos símbolos nacionais, com referência para os momentos em que equipas ou atletas participam em eventos internacionais.

A comunidade lusa na Venezuela passa por momentos muito difíceis, que assumem em muitos casos níveis quase dramáticos, porque põem em causa princípios básicos da vivência em sociedade. Os reflexos desta situação são já visíveis no número de famílias que regressam, na maioria dos casos abandonando à sorte anos e anos de muito trabalho e sacrifícios. Mas a diáspora portuguesa somos todos nós. Porque cada português que parte ou que regressa é sempre um valor sagrado que saberemos preservar e cuidar dentro desta família coletiva que é Portugal. 

Emídio Gomes

* Professor Catedrático da Universidade do Porto

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