A17_1

TROVOADA REFORMA ADMINISTRAÇÃO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

 

A primeira reunião do conselho de ministros do arquipélago resultou numa razia na administração pública do país 

 

O recém-empossado primeiro-ministro de São-Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, demitiu esta semana mais 20 diretores da administração pública, nomeando os seus substitutos, no final da primeira reunião do conselho de ministros do novo governo.

Entre os diretores demitidos figuram os da Rádio Nacional (RNSTP), da Televisão São-tomense (TVS), da Agencia STP Press, da Empresa de Agua e Eletricidade (EMAE) e da Empresa Nacional de Segurança Aérea (ENANA).

“Não é admissível em democracia que organismos com responsabilidades acrescidas no Estado e na nossa sociedade não prestem contas das suas atividades e desempenho, bem como não é aceitável que funcionários permaneçam nos seus cargos indefinidamente e de modo intocável, sem que sejam inspecionados e avaliados para se aquilatar da sua competência para continuar no exercício do cargo”, disse Patrice Trovoada, que tomou posse no sábado, no final da reunião de dois dias do conselho de Ministros.

“É preciso que neste novo ciclo inauguremos uma nova conceção do poder e do seu exercício, que não seja como no passado, focado sobre os “inimigos do povo” e nas dicotomias entre “os puros e os impuros, os genuínos e os adulterados, antipatriotas” e os “patriotas””, afirmou.

O primeiro-ministro são-tomense instou os membros do seu governo a proceder a um inventário “célere mas exaustivo” de todos os atos praticados pelo anterior governo, liderado por Gabriel Costa, que “não correspondem às boas praticas e aos interesses nacionais”.

“Primeiro para que sejam devidamente identificados o erros cometidos, segundo para que todos possam compreender exatamente em que condições o XVI governo constitucional assume o comando do país e, sobretudo, para que os mesmo erros não se repitam indefinidamente como se de uma sina de tratasse”, disse Patrice Trovoada num “discurso de orientação” aos membros do seu governo.

Patrice Trovoada fez um balanço negativo dos dois anos do governo de Gabriel Costa, sublinhando que “gerou mais atrasos, aumentou a ignorância, fomentou mais ódios, acirrou as incompreensões, agudizou as discriminações”.

“Enraizaram-se os ressentimentos, multiplicaram-se as perseguições, tudo para perpetuar o ‘status quo’, ou seja o subdesenvolvimento do nosso país e o domínio de um punhado de poderosos contra outros”, adiantou.

O primeiro-ministro são-tomense considerou que para o êxito da missão do novo governo é necessário que seja instituída a obrigatoriedade das inspeções, avaliações de desempenho e prestações de contas periódicas e generalizadas.

No discurso de orientação politica aos membros do seu governo, Patrice Trovoada lembrou ainda que “o povo espera exemplo, trabalho, verdade, diálogo construtivo, sério e permanente, proximidade e transparência nos atos e resultados”.

O novo chefe do governo são-tomense garantiu que quer “pôr fim às perseguições político-partidárias com, por vezes, cumplicidades no sistema judiciários e nas forças de segurança”.

“O povo espera que ponhamos fim às querelas interpessoais, às discriminações, à má gestão da coisa pública, ao sectarismo, as injustiças, enfim, que ponhamos fim a corrupção e as desmandos que tomaram conta do nosso país”, concluiu Patrice Trovoada.

 

Artigos relacionados

 
 

Índios receiam ameaças do novo Governo

Os índios brasileiros temem que se concretizem as promessas políticas do novo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de atacar os direitos das comunidades tradicionais. As primeiras medidas políticas para o setor estão a acentuar os receios.  Leia mais em Plataforma Media. Carolina de Ré 18.01.2019 Exclusivo Lusa/Plataforma Macau

“Os portugueses não podem ser só os expatriados”

O novo cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong defende a importância dos macaenses e dos chineses com nacionalidade portuguesa. Paulo Cunha Alves não teme a integração da cidade no Continente e olha para o projeto da Grande Baía como uma oportunidade da comunidade e cultura portuguesas se afirmarem. O português, diz, pode ser

O Fringe atinge a maioridade

O Festival Fringe de Macau está a completar 18 anos. Para a vice-presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, no ano em que atinge a maioridade, o festival quer “fazer emergir a arte na sociedade (…) visando proporcionar ao público novas experiências”.  Leia mais em Plataforma Media. Margarida Sajara Vidinha 18.01.2019

País em contagem decrescente

Depois do período natalício praticamente estagnado – até a recolha do lixo na capital esteve praticamente suspensa – Timor-Leste retomou, lentamente, a atividade com todos os olhos postos no Palácio da Presidência. Leia mais em Plataforma Media. António Sampaio 18.01.2019 Exclusivo Lusa/Plataforma Macau

Mercado de dívida mais internacional

Portugal e Paquistão avançam em 2019 para a emissão de ‘panda bonds’. BNP Paribas tem autorização para investir no mercado. Leia mais em Plataforma Media. Maria Caetano 11.01.2019

Estreito de desentendimento

Apesar do discurso do presidente chinês, Xi Jinping, Taipé recusa termos propostos e diálogo político permanece distante. Governo de Macau dá apoio total à iniciativa do Presidente. Leia mais em Plataforma Media. José Carlos Matias 11.01.2019