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A china também pode voltar atrás com a sua palavra

Nos dias 2 e 3 de junho, uma equipa chinesa liderada pelo Vice-Primeiro Ministro, Liu He, e uma equipa norte-americana liderada pelo Secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, encontraram-se em Pequim para uma terceira reunião sobre os problemas comerciais existentes entre os dois países. Ambos os lados discutiram formas de implementar o consenso a que chegaram na última reunião no dia 19 de maio em Washington. No entanto, até ao momento, os EUA ainda não abandonaram as ameaças de imposição de tarifas à China. Segundo uma declaração do dia 29 de maio, devido a relatórios da investigação 301, até 15 de junho os EUA irão anunciar um aumento de 25 por cento em tarifas sobre 50 mil milhões de dólares de produtos tecnológicos chineses. Muitos de nós conseguimos entender, claramente quais as intenções de Trump. O presidente quer através de ameaças obter benefícios e, posteriormente, irá procurar desculpas para voltar atrás com a sua palavra, voltando a fazer ameaças para obter mais benefícios. O governo de Trump ameaçou primeiro a imposição de uma tarifa extra sobre o aço e o alumínio e exigiu que a União Europeia, o Japão e outros países revissem os seus acordos de tarifas.
Como a ameaça não resultou, os EUA implementaram esta tarifa extra. No entanto, a União Europeia e alguns dos seus aliados demonstraram o seu descontentamento, com o Canadá a considerar esta atitude do governo de Trump como um insulto que utiliza como desculpa a “segurança nacional”. Na verdade, isto é apenas um aperitivo. O verdadeiro começo será quando for implementado o imposto sobre automóveis, tal como Trump disse ao presidente francês Macron durante a sua visita a França no mês de abril. Trump irá apoiar esta medida até “mais nenhum Mercedes
poder ser visto na Quinta Avenida em Nova Iorque”. O presidente americano está a considerar impor uma tarifa de até 25 por cento sobre carros importados, e até desenvolver uma sondagem de segurança nacional sobre os carros que entram no país, usando-a depois como desculpa para banir a entrada de carros alemães. É ridículo afirmar que carros importados são uma ameaça à segurança nacional, mas, claramente esta é a única forma de banir e fazer desaparecer da Quinta Avenida todos os Mercedes. Trump tentou com esta ameaça sobre
tarifas automóveis convencer a Alemanha e o Japão a aceitar as suas tarifas sobre o aço e alumínio, para depois de alcançada a situação que pretendia voltar atrás com a sua palavra e continuar a aumentar o imposto automóvel. Esta estratégia de Trump, claramente também será usada com a China, cheia de ameaças e mudanças constantes. A China já está preparada para tal. Embora saiba que é um país com excedente comercial, está preparada para fazer alguns compromissos e manter este grande e importante cliente que são os EUA. Porém, para o caso de Trump mudar de atitude mais uma vez e voltar atrás com a sua palavra, a China disse o seguinte: Se os EUA impuserem sanções que incluam tarifas, todos os acordos comercias e económicos perderão efeito. Esta declaração significa que se Trump não cumprir as suas promessas, a China irá também abandonar os compromissos que fez. Para a China, enfrentar um adversário como Trump, sempre a voltar atrás com o que diz, é como enfrentar um gigante. Por isso, o país deixará claro que se o outro lado não cumprir a sua promessa, a China também não cumprirá. Parece que esta “guerra” comercial entre os EUA e a China ainda demorará a resolver.

DAVID CHAN  08.06.2018

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