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Trump lança mais uma vez estratégia indo-pacífica

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu início no passado dia 3 à sua primeira visita ao continente asiático desde que tomou posse. Ao chegar ao Japão, foi recebido pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, tendo com este jogado uma partida de golfe, e depois visitou a residência do imperador e da esposa. Aquando de uma visita à base das forças militares americanas no Japão, Trump referiu que esta deslocação ao continente asiático, além de incluir na agenda reuniões com os líderes do Japão, Coreia do Sul, China, Vietname e Filipinas, também poderá contar com uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin. Também referiu pela primeira vez uma estratégia indo-pacífica como uma forma de fortalecimento da região Ásia-Pacífico. Para ele, é preciso estabelecer liberdade, igualdade, e criar benefícios mútuos nesta região.

Esta estratégia apresentada por Trump não é nova, representa apenas mais uma esperança de conseguir fazer com que a Índia e a Austrália juntem-se aos EUA e ao Japão numa cooperação estratégica em losango, tendo o Japão o papel mais ativo nesta colaboração. Durante a reunião entre Abe e Trump, foram mencionados planos de diálogos quadrilaterais. 

Na realidade, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, aquando de uma visita à India no mês passado, já tinha mencionado a criação desta parceria. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Taro Kono também já tinha mencionado que deveria haver uma reunião entre os líderes dos quatro países implicados. Os membros do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês esperam que tal reunião se realize, pois além de garantir a segurança dos oceanos, poderá ainda desenvolver uma cooperação a nível de capital para infraestruturas. Na realidade, este plano já foi proposto há vários anos, mas não foi posto em prática devido à falta de interesse por parte da Índia e da Austrália.

Desta vez foi Trump quem mencionou esta cooperação, como uma óbvia forma de criar pressão sobre a iniciativa “Uma Faixa, uma Rota”. Por isso, depois da sua visita à Índia no final de outubro, Rex Tillerson prometeu a venda de jatos F-16 e F-18 como parte da visita de Trump à região. Além disto, já desde o dia 29 de outubro que o Japão tem realizado com a Índia exercícios antissubmarinos no Oceano Índico.

O diálogo entre estas quatro potências tem para o Japão o objetivo claro de encurralar a China. No passado, a Índia e a Austrália não se achavam capazes de enfrentar diretamente a China, e na altura não se tinham sentido ameaçadas pela sua rápida ascensão. No entanto, a situação atual é diferente. 

Neste momento quase todos os países sentem o papel da China e a sua influência, especialmente os grandes países da Ásia-Pacífico. Por isso, é natural estes sentirem-se um pouco apreensivos, pois todas as nações fazem conjeturas em relação à sua posição e dos seus vizinhos. Agora, entre polémicas de interferência russa, discriminação racial, tiroteios frequentes, o apoio ao presidente norte-americano desceu para apenas 38%. Não sendo ainda certo se Trump conseguirá um segundo mandato, a estratégia indo-pacífica é algo que necessitará de um planeamento cuidadoso. 

DAVID Chan 

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