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Associações tradicionais apostam na Grande Baía

Operários e Moradores abrem delegações nas cidades vizinhas. O objetivo é dar apoio ao número crescente de residentes locais a viver do outro lado das Portas do Cerco, à boleia do projeto de integração regional.

Após a abertura do primeiro escritório na China continental, em Zhuhai, a Associação Geral dos Operários de Macau (AGOM) tem planos para expandir a rede a outras cidades no Delta do Rio das Pérolas. A outra grande associação tradicional de Macau, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau – comummente conhecida em chinês como “Kai Fong” – quer abrir uma delegação em Zhongshan até ao final do ano.
Os “Escritórios da Associação Geral dos Operários de Macau” em Zhuhai abriram oficialmente no dia 13 de setembro. No dia da inauguração, além de membros da Secretaria para a Economia e Finanças e da Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais, também estiveram presentes o vice-diretor do Gabinete de Ligação do Governo Central na Região Administrativa Especial de Macau, Yao Jian, e representantes do Comité Permanente da Assembleia Popular e da União Geral dos Trabalhadores de Guangdong. Lee Chong Cheng, representante dos escritórios da Associação Geral dos Operários de Macau em Guangdong, partilhou com o PLATAFORMA que este é o primeiro de uma organização não-governamental de Macau com representação em Guandong, estando sob administração de um órgão do Ministério de Segurança Pública da China continental.
Lee Chong Cheng confessou que a Associação já estava há vários anos a planear a criação de escritórios no continente, devido a vários problemas encontrados por muitos cidadãos quando investem em imobiliário no continente, e também pela existência de várias famílias cujos filhos frequentam diariamente escolas no continente. “Até à apresentação final do plano para a Área da Grande Baía, houve várias discussões sobre como garantir que cidadãos de Hong Kong e Macau recebem um tratamento igual ao dos restantes nacionais do continente. Por fim, decidimos fazer um pedido de licença para a criação de um escritório no continente, de forma a que a nossa instituição possa oferecer apoio a residentes de Macau que lá vivam ou trabalhem.”, disse Lee Chong Cheng ao PLATAFORMA. O próprio explicou também que estas instalações em Zhuhai operarão de forma independente da Associação, com funcionários de ambas as regiões, Macau e continente.
A criação desta delegação em Zhuhai teve como referência o escritório que a Federação de Uniões Comerciais de Hong Kong criou no continente há alguns anos atrás. Na altura, a instituição serviu os residentes de Hong Kong segundo o “Plano de Guangdong” do governo de Hong Kong.
Lee Chong Cheng salientou ainda que o apoio que o escritório de Zhuhai irá prestar a residentes de Macau não se irá focar apenas em problemas do continente, mas em assistência em qualquer aspeto da vida destes cidadãos. “Para já começámos a emitir cartões para residentes e no futuro iremos também oferecer apoio em aspetos mais complicados da vida no continente, como segurança social, serviços de saúde, cuidados a idosos, transportes, entre outros.”, explicou Lee Chong Cheng.
O ex deputado à Assembleia Legislativa de Macau partilhou ainda que, depois de os escritórios em Zhuhai estabilizarem, a AGOM irá também considerar a criação de sucursais em outras cidades da Grande Baía como Hengqin, Cantão ou Zhongshan.

Moradores também a caminho da Grande Baía

A União Geral das Associações dos Moradores de Macau faz também planos de criar um escritório em Zhongshan até ao final deste ano.
“O desenvolvimento económico é o fator mais promovido pela Área da Grande Baía. Para nós, o desenvolvimento de serviços (sociais) é também muito importante”, disse a secretária-geral adjunta da União, Cheang Man Man, ao Plataforma.
A mesma partilhou também que a União planeia levar serviços de cuidados a idosos à cidade de Zhongshan. “Existem muitos naturais de Macau que compraram casa em Zhongshan, e neste momento muitos deles já têm alguma idade (…). Primeiramente temos como público alvo naturais de Macau, oferecendo-lhes apoio, identificando as suas necessidades”, confessou a secretária-geral adjunta. Para além de serviços de cuidados a idosos, a União planeia também oferecer serviços a jovens empreendedores em Zhongshan, nomeadamente cursos de formação. Entre estes, o foco principal é auxiliar residentes de Macau com serviços de consultoria e encorajando-os a comunicar com as organizações governamentais locais.
Para o comentador local, Larry So, esta decisão de organizações de ação social da região estenderem os seus serviços ao continente, não é inovadora. “Por exemplo, a Sucursal Internacional dos Serviços Socias de Hong Kong estabeleceu uma parceria com a Associação dos Direitos das Mulheres de Cantão, cooperação que dura há já quase 20 anos”, disse o comentador.
“O continente está agora cada vez mais aberto a este tipo de organizações. Estas candidatam-se a subsídios do estado, e ao mesmo tempo pedem ajuda ou conselhos a profissionais de Hong Kong e Macau. Este tipo de estrutura sempre existiu, apenas não tinha colado o nome de uma associação. Porém, depois do Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau (Acordo CEPA), têm surgido mais oportunidades para a entrada destas instituições no continente.”, comentou Larry So ao jornal Plataforma. Todavia, salienta ainda que não é assim tão simples para estas instituições criarem escritórios no continente, especialmente devido às autoridades do continente que supervisionam atentamente serviços e instituições sociais com capital estrangeiro.
De acordo com Cheang Man Man, o escritório em Zhongshan receberá financiamento da própria União, planeando a longo prazo uma colaboração governamental. Os restantes escritórios da União no continente foram também financiados a partir de recursos internos.

Shao Hua 28.09.2018

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