PM-123

Susana Chou à pesca na plataforma

Dá pelo nome de Perfeição; é uma empresa recente, relativamente desconhecida, que aposta em dar cartas na intermediação de negócios na geografia da língua portuguesa. À frente do projeto está um grupo de jovens, todos de língua materna chinesa, mas todos eles falantes também do português. Por trás do projeto, com uma rara carteira de contactos, e reconhecido músculo financeiro, está Susana Chou.
Já fora da política ativa, a empresária vê oportunidades de negócio no cruzamento com a estratégia chinesa para a Lusofonia. Neste caso, posicionando-se na plataforma de serviços que vai conquistando vontades e multiplicando estratégias em Macau. Estão no mercado com vários serviços, desde a tradução à consultadoria, mas apenas para “assegurar receitas que paguem as despesas”, explica Sandy Chan, diretora executiva da Perfeição. O objetivo principal, esse, é claro: “Intermediar investimentos chineses nos países de língua portuguesa”.
O primeiro negócio mediado por esta equipa está praticamente selado, razão pela qual já podemos anunciar”, sorri Vera Zhou, diretora de projeto. A Ningtai, uma empresa privada que conta com o apoio das autoridades de Zhoushan, província de Zheijiang, interessou-se no setor das pescas em Timor-Leste. Para esse efeito, abordou o Fórum Macau, a quem pediu contactos com especialistas na intermediação. Depois de uma anterior experiência que acabou abortada na Guiné Bissau – noutro setor e em representação de outro cliente – a Perfeição abraçou esta segunda oportunidade e deslocou-se a Díli, tendo logo aí multiplicado contactos oficiais e medido a racionalidade e a segurança do investimento.
Feitos os estudos e as análises, através de uma parceira técnica escolhida em Portugal, os contactos políticos pareciam correr de vento em popa. Entusiasmados pelo aval oficial, e depois de observarem no terreno os portos e as docas de pesca, os investidores quiseram também garantir a segurança das embarcações: “Cerca de 200 barcos de pesca chineses foram recentemente retidos na Indonésia e o nosso cliente estava com receio disso”, explica Vera Zhou. Entendidas as diferenças, entre um cenário e outro, foram então pedidas duas licenças para o Mar de Timor, optando-se por uma estratégia de crescimento gradual da operação.
Eis senão quando começam a surgir surpresas para quem está ainda a ganhar experiência nos mares da Lusofonia. “Primeiro, demoraram muito tempo a responder”, comenta Sandy Chan. Depois o dossier mudou de ministro e o processo parecia novamente andar para trás. Contudo, novas adaptações ao projeto, “para responder às exigências do governo”, explica Sandy Chan, e de novas reuniões em Díli, o problema parecia sanado. Mas nada de confirmação oficial. Afinal, foram informados, Timor preparava-se para negar as licenças. Motivo: falta de confiança, quiçá desconhecimento, depois de más experiências anteriores com empresas chinesas, “que acabaram por não investir nem pescar”.
Tudo se resolveu agora no contexto da Conferência Ministerial do Fórum Macau. Uma empresa timorense, bem como governantes de Timor-Leste, reuniram-se cá com os investidores; conheceram pessoalmente Susana Chou e verificaram o envolvimento de representantes do governo de Macau e da província de Zhejiang. “Perceberam então que o negócio era sério e o ministro timorense garantiu-nos que emitirá as licenças”, remata Sandy Chan. Os barcos em causa vão ser entretanto adaptados na China enquanto esperam que lhes abram as portas do Mar de Timor.
Foram à pesca do negócio, que vai dar peixe. “Queremos muitos mais! Somos jovens mas acreditamos que esta é uma boa oportunidade. Estando a indústria do jogo como está precisamos de encontrar alternativas para o futuro e esta é boa”, explica Sandy Chan, já focada nas outras oportunidades de negócio que pescou em Timor: “Turismo e aquacultura”.

古步毅 Paulo Rego

ED#123

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